Baixada Fluminense

Entrevista exclusiva com prefeito de Nova Iguaçu

Ao site Tupi.FM, Rogério Lisboa fala sobre projetos e desafios que ainda estão por vir na administração de um dos principais municípios da Baixada

Por Milena Coutinho

Fotos: Everton Barsan/Divulgação

Rogério Lisboa (PR), 51 anos, advogado, foi eleito Prefeito de Nova Iguaçu com 63,91% votos. Assumiu a Prefeitura, no início de 2017, com quase meio bilhão de reais em dívidas. Em entrevista exclusiva ao site Tupi.FM, o prefeito fala sobre projetos e desafios que ainda estão por vir.

Tupi.FM – Prefeito, o senhor assumiu o município de Nova Iguaçu no início de 2017 com quase meio bilhão de reais em dívidas. Como se dividia essa conta? Quanto tempo levou para quitar a dívida com o funcionalismo?

Rogério Lisboa: “Quando chegamos, a dívida girava em torno de R$ 500 milhões. Eram R$ 150 milhões em salário e R$ 350 milhões de dívidas com fornecedores e prestadores de serviço. O objetivo prioritário era pagar os três meses de salário atrasado dos servidores. Até porque, se você não tem o servidor, não tem os serviços. O servidor é o nosso maior patrimônio. Só tem aula na escola porque tem o servidor. Só tem atendimento no posto de saúde, no Hospital da Posse, porque tem o servidor. Sem ele a cidade não funciona. O servidor público é a máquina que toca o município e os serviços. Passamos 2017 praticamente todo pagando salário. Foram quase R$ 800 milhões só de pagamento”.

Tupi.FM – No momento, quais são as prioridades de investimentos da Prefeitura?

Rogério Lisboa: “A capacidade de investimento do poder público está muito reduzida. Hoje, você arrecada para pagar aposentado, pensionista e alguma coisa de serviço. Investimento mesmo quase não tem. Além disso, a questão dos salários atrasados acabou comprometendo muito a saúde financeira do município. Se eu arrecado R$ 1 bilhão e a nossa capacidade de investimento gira em torno de 4 ou 5%, temos R$ 50 milhões para gastar por ano. Se gastei R$ 150 milhões só pagando os atrasados, já foram três anos de investimento. Por isso, fui obrigado a estabelecer prioridades. Toda obra parada eu estou retomando, na medida em que tenhamos condição de fazer e terminar. Pegamos a obra do Viaduto Barros Junior, por exemplo, que hoje se chama Viaduto dos Imigrantes, e concluímos. Entregamos essa obra, que era uma necessidade há muito tempo, e hoje realmente resolveu o problema de trânsito na região”.

Tupi.FM – Por conta da crise, todos os municípios tiveram que se readequar e reduzir os gastos. Como a Prefeitura de Nova Iguaçu fez para se reorganizar financeiramente?

Rogério Lisboa: “Pegamos todos os contratos e demos um corte linear de 30%. Diminuímos os custos e, em alguns casos, também diminuímos os serviços. Tínhamos na cidade, por exemplo, um contrato de quase R$ 500 mil por mês de pessoal para Fazenda. Dispensei a empresa e contratei os funcionários de maneira direta. De R$ 500 mil, o valor passou para R$ 160 mil. Esses cortes nos deram folga para ficar de pé e não deixar desmontar o município”.

Tupi.FM – As unidades de saúde do município recebem uma demanda muito grande. O Hospital da Posse, por exemplo, atende a pacientes não só de Nova Iguaçu mas de outros municípios. Como resolver a questão da superlotação na rede de saúde pública?

Rogério Lisboa: “O Hospital da Posse é um símbolo da falta de estrutura sanitária da Baixada. As pessoas não têm hospital, não têm maternidade, não há unidades de atendimento 24 horas em quantidade suficiente. Nova Iguaçu, por ter essas unidades, acaba sendo muito procurada. Temos aqui uma maternidade que faz alto risco, que é a Mariana Bulhões, temos o Hospital da Posse, com urgência e emergência, que atende de São João de Meriti até Paracambi. O hospital recebe muito mais gente do que ele tem a capacidade de atender. Isso causa impacto direto no serviço de Saúde que é próprio do município, que é a atenção básica. Mas, graças a Deus, do início desse ano para cá, o governador Wilson Witzel fez um repasse maior para o Hospital da Posse que nos deu um pouco de fôlego a ponto da gente começar a reforma no hospital. Porque ou a gente prestava o atendimento e salvava as vidas ou fazia a reforma. Na verdade, foi fácil decidir porque sempre vamos escolher salvar vidas. Mas, com esse recurso, estamos finalmente reformar o hospital, o que não acontecia desde o dia em que ele foi inaugurado”.

Tupi.FM – Ainda falando sobre Saúde, como funciona o programa “Remédio em Casa”? E a oferta de exames nas unidades?

Rogério Lisboa: “O Programa Remédio em Casa cuida do munícipe na base. A ideia é entregar todo remédio do doente crônico, que ele precisa tomar todos os dias, na casa dele. E não é só isso. Com esse fôlego financeiro que ganhamos, estamos oferecendo alguns exames que eram muito difíceis de serem realizados. Hoje, são cerca de 500 ressonâncias por mês. Nos próximos três meses, vamos zerar a fila. A cintilografia não tem em lugar nenhum. Se você for ao Rio de Janeiro, por exemplo, você não vai conseguir fazer. E nós estamos conseguindo ofertar aqui, para o nosso povo iguaçuano. A demanda nessas áreas era tão grande que estamos tendo que trabalhar sábado e domingo”.

Tupi.FM – Além dessas ações, quais outras iniciativas se destacam?

Rogério Lisboa: “Uma ação de Saúde que causa impacto direto na Educação é o programa de oftalmologia. Há uma estimativa de que 15% das pessoas têm problemas de visão e não sabem. Isso, dentro da escola, acaba impactando muito no desenvolvimento da criança. Estamos contratando um serviço para identificar o problema e encaminhar para outros procedimentos, se for caso de cirurgia ou algo maior. Se for mais simples, em duas semanas a gente entrega os óculos prontos para criança, que vai passar a ter muito mais conforto na hora da leitura e nas atividades da escola. Às vezes, a criança parece ter dificuldade de aprendizagem mas, na verdade, está com problema de visão”.

Tupi.FM – Como estão os índices da Educação municipal? O que a Prefeitura tem feito de investimento na rede que atende a 70 mil alunos?

Rogério Lisboa: “Os índices da Educação vão se apresentar ao longo do tempo porque as avaliações nacionais acontecem de dois em dois anos. Ainda não teve nenhuma para avaliar a minha gestão. Há um problema grande de infraestrutura nas escolas que temos que enfrentar. Precisamos criar um amplo programa de reforma. Com relação ao pedagógico tenho muita tranquilidade porque nossos profissionais são excelentes. Melhoramos muito a merenda escolar e eu faço questão de verificar isso pessoalmente. Na Educação eu tenho tranquilidade porque os professores e toda a equipe é realmente muito boa”.

Tupi.FM – O Conig foi criado para monitorar o trânsito e auxiliar no combate à violência mas está fechado há alguns anos. Há previsão de reinaugurar? Quais outras ações estão previstas na área da Segurança Pública?

Rogério Lisboa: “Na verdade, ele já está reaberto. Quando cheguei, naquela dívida toda que encontramos, tinha a dívida do operador do sistema do Conig. Era algo em torno de R$ 1,5 milhão. Tentei negociar, o prestador não aceitou e infelizmente acabei tendo que dispensar o trabalho. Entramos em um processo de licitação de um novo serviço, que já está contratado e operando. Temos agora que ampliar o número de câmeras para o sistema ficar mais eficiente, não só no trânsito mas para Segurança Pública também. Nessa área, a gente vai unir algumas pontas, através do Segurança Presente, que vai mudar de nome. Segundo eu soube, vai se chamar Sociedade Segura e começa a implementar agora em agosto. Até dezembro já vai estar em diversos bairros em Nova Iguaçu.

Tupi.FM – O município é um dos principais da Baixada e tem crescido muito nos últimos anos. A Prefeitura está promovendo obras de infraestrutura para acompanhar o crescimento e garantir a mobilidade?

Rogério Lisboa: “Toda semana estamos nas ruas fazendo serviços de capina, limpeza, tapa-buraco e iluminação. Além disso, temos dois viadutos em andamento, o de Austin e o de Comendador Soares. Vamos trabalhar muito para entregar os dois em no máximo um ano. Estamos lutando para conquistar uma nova estação de trem para Nova Iguaçu, paga pela Prefeitura. A Supervia vai operar e a Prefeitura vai construir. Vai ser a estação Cacuia-Rodilândia. Tenho também um projeto de intervenções na Via Light para melhorar o fluxo porque ela tem alguns estrangulamentos que precisamos mexer.

Tupi.FM – Um tipo de obra que também é fundamental é a que trata da dragagem dos rios, limpeza de canais e bueiros. Esse tipo de trabalho é uma preocupação do governo municipal?

Rogério Lisboa: “Sim. Uma intervenção de infraestrutura importante que queremos entregar, também dentro de um ano, é a do Rio Botas, o principal da cidade. Já remanejamos 350 famílias da beira do rio, que tem um leito de sete metros e vamos expandir para 18. Isso significa dizer que ele vai ter uma capacidade de suportar água quase três vezes maior, diminuindo os impactos de enchentes em uma região em que moram quase 100 mil pessoas. Desde que assumi, a gente vem limpando rios e valões. Todos os dias cuidamos de algum rio ou valão. Primeiro, a gente agradece a Deus que tem segurado as forças da natureza. E depois a gente também faz o nosso trabalho, que é fazer a limpeza”.

Tupi.FM – O município de Nova Iguaçu é muito concorrido no serviço público. Com relação aos concursos, há previsão de alguma seleção?

Rogério Lisboa: “Vamos fazer concurso para Guarda Municipal, para professor e um concurso amplo para a Saúde”.

Tupi.FM – Como está a questão do transporte público no município? As frotas de ônibus estão climatizadas? Há previsão de aumento nas passagens?

Rogério Lisboa: “Quando assumi, as linhas municipais já estavam licitadas. A licitação foi feita no último ano do mandato do meu antecessor. Não quero criticar porque pode parecer intriga política, mas foi muito mal licitado. Não havia previsão de ar condicionado. Como se faz uma licitação nova, em uma cidade que no verão, à sombra, faz 50°, sem prever a climatização? Como não está no contrato, o operador do sistema não quer fazer. Só que eu vou para briga. Então, a gente tem quase 20% da frota com ar, mesmo sem estar previsto no contrato”.

Tupi.FM – Na política, sua trajetória profissional se destaca com três mandatos como vereador, secretário municipal de Indústria, Comércio e Obras, um mandato como deputado federal, um como estadual e esse, agora, como prefeito de Nova Iguaçu. No ano que vem terá eleição novamente. O senhor virá candidato à reeleição? Tem planos maiores?

Rogério Lisboa: “A reeleição é natural do trabalho que você desenvolve durante três anos e meio. Se em junho ou julho do ano que vem a população de Nova Iguaçu disser que meu trabalho foi bem avaliado, eu sou candidato. A minha candidatura ocorrerá de acordo com a avaliação do meu governo. Mas eu não penso nisso, penso só em trabalhar. Já passei por praticamente todas as instâncias da política. Fui vereador, aquele cara da base, deputado federal, deputado estadual, secretário e já tive uma experiência antes de ser prefeito na administração pública. Agora, sou prefeito, porque Deus e a população de Nova Iguaçu me deram essa oportunidade. Para ser prefeito de novo a população precisa me aprovar”.

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