Brasil

A crise entre ‘bolsonaristas’ e ‘bivaristas’ e o racha no PSL

Entenda a escalada de tensão entre as alas do partido

Por Pedro Henrique Leite

Jair Bolsonaro e Luciano Bivar. Foto: Montagem/ Reprodução

O PSL parece viver o ápice de sua crise, que cresce a cada dia. Bolsonaristas e bivaristas trocam acusações de traições a todos os momentos. Nessa quarta-feira, parte da bancada do presidente Jair Bolsonaro anunciou Eduardo Bolsonaro (SP) como novo líder do partido na Câmara. O objetivo da ala bolsonarista é derrubar Delegado Waldir (GO), da ala bivarista. Eduardo, porém, foi destituído logo após ser nomeado. E, mais uma vez, foi recolocado na posição.

Os parlamentares dissidentes do PSL apresentaram uma lista com 27 assinaturas para indicar o filho de Bolsonaro como o novo líder do partido na Câmara. O mínimo necessário era de 26. A bancada do PSL tem 53 deputados. O problema é que, logo em seguida, parlamentares ligados a Waldir e a Luciano Bivar apresentaram uma segunda lista, ainda maior, com 32 nomes. A crise é tão grande, que até Joice Hasselmann contrariou Bolsonaro e votou a favor de Waldir e contra Eduardo. A chancela está nas mãos de Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da câmara.

Membros da cúpula do PSL se reuniram na noite dessa quarta-feira para debater a possibilidade de expulsão de deputados do partido. Ao menos 10 nomes foram levantados, porém não divulgados. Outra medida analisada foi a destituição do deputado Eduardo Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro do comando do partido nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, respectivamente. A conversa foi dirigida pelo deputado federal por Pernambuco e presidente da legenda, Luciano Bivar.

Os nomes dos deputados que poderão ser expulsos serão analisados caso a caso. A estratégia do PSL, no entanto, muito provavelmente será contestada na Justiça Eleitoral pelos deputados desligados.

O partido é divido em duas alas, que em Brasília são chamadas de “bolsonaristas” – grupo ligado ao presidente Jair Bolsonaro – e “bivaristas” – grupo ligado ao presidente do partido Luciano Bivar.

Entenda a escalada da crise entre Jair Bolsonaro e Luciano Bivar e o racha no partido:

“Está queimado pra caramba…”

Terça-feira, dia 08 de outubro, Jair Bolsonaro foi abordado por um apoiador que gravava um vídeo na porta do Palácio da Alvorada, em Brasília. No diálogo, o apoiador – não identificado – pede:

“Eu, Bolsonaro e Bivar, juntos por um novo Recife”, diz o apoiador.

E o presidente responde: “Oh, cara, não divulga isso não. O cara (Bivar) está queimado para caramba lá. Vai queimar o meu filme também. Esquece esse cara, esquece o partido”.

O problema é que o vídeo foi gravado por um outro suposto apoiador. E foi publicado. No dia seguinte, quarta-feira, 09 de outubro, em entrevista ao Estado, Bivar dispara: “não tem mais nenhuma relação com o PSL”, ao fazer referência entre Jair Bolsonaro e o partido.

O Presidente da República até tentou colocar panos quentes. Em entrevista a jornalistas chegou a dizer: “não tem crise nenhuma” e “briga de marido e mulher às vezes acontece”. A ala bolsonarista, inclusive, divulgou uma carta para pedir novos rumos da direção do partido e que fosse criado um “canal de diálogo”. Algo que não aconteceu.

O objetivo de Jair Bolsonaro…

O principal objetivo do Presidente da República em toda esta disputa é controlar a bancada do PSL nas decisões partidárias. O jornal O GLOBO divulgou um áudio em que Jair Bolsonaro diz que o líder do partido e o presidente podem “indicar pessoas, arranjar cargos no partido, promessa para fundo eleitoral por ocasião das eleições”.

A Operação Guinhol

A Polícia Federal cumpriu, nessa terça-feira, mandado de busca e apreensão na casa de Luciano Bivar, em Joboatão dos Guararapes, Pernambuco. A “Operação Guinhol” investiga o uso de candidaturas laranjas pelo partido na eleição de 2018. Além da casa do político, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em uma gráfica e na sede do PSL, que fica em Pernambuco. O Pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, através de um pedido do Ministério Público Eleitoral, autorizou nove mandados.

Ao menos 30% do Fundo Partidário devem ser empregados em campanhas femininas. De acordo com a PF, há indícios de que esse dinheiro tenha sido usado por outros candidatos. O advogado de Bivar e do PSL divulgou nota dizendo que o processo de investigação é uma “inversão”:

“A defesa enfatiza que o inquérito já se estende há 10 meses, já foram ouvidas diversas testemunhas e não há indícios de fraude no processo eleitoral. Ainda na visão da defesa, a busca é uma inversão da lógica da investigação, vista com muita estranheza pelo escritório, principalmente por se estar vivenciando um momento de turbulência política”, diz a nota assinada pelo escritório de advocacia de Ademar Rigueira.

Bolsonaro se posicionou sobre a operação, pediu transparência no partido e disse que pode deixar a sigla

Enquanto isso…

Os velhos problemas políticos e sistêmicos continuam assolando o país. Enquanto não houver solução para esta desenfreada crise partidária, o Brasil não conseguirá colocar em discussão as pautas que de fato são prioridades. Como diz a letra do samba da Imperatriz Leopoldinense de 2019: “e o povo nada por migalhas outra vez”.

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