Brasil

Base científica do Brasil na Antártida será inaugurada nesta quarta-feira

Estação tem área de 4,5 mil metros quadrados e pode abrigar 64 pessoas

Por Isaac Santos

 

Foto/Samy Liberman

A base científica do Brasil na Antártida, que tem o nome de Estação Comandante Ferraz, será reinaugurada nesta quarta-feira (15), com uma estrutura maior e mais moderna que a anterior, que era utilizada pelos pesquisadores desde 1984 e foi atingida por um incêndio, em 2012, que destruiu 70% do local.

Ao longo dos últimos anos, o Governo Federal investiu cerca de US$ 100 milhões na reconstrução da estação, que recebeu 17 laboratórios e equipamentos avançados. Na nova base pesquisadores vão realizar estudos nas áreas de biologia, oceanografia, glaciologia, meteorologia e paleontologia.

O projeto é todo nacional e foi executado por uma empresa chinesa. Para enfrentar as condições adversas do continente antártico, que tem ventos fortes e nevascas constantes, foram usadas 700 toneladas de aço.

A base foi colocada em uma estrutura elevada, e os pilares de sustentação atingem até 26 metros de profundidade, que garantem a estabilidade e deixam os laboratórios a mais de três metros do solo.

“São ventos fortes que chegam a cerca de 200 quilômetros por hora; os abalos sísmicos e os solos permanentemente congelados. Essas três condicionantes fizeram com que fizéssemos essas fundações da forma que são”, relatou o capitão de fragata Newton Fagundes.

Entre os itens de segurança, foram instaladas portas corta fogo, alarmes de incêndio e sensores de fumaça. Na sala de máquinas e de geradores, as paredes são ultrarresistentes e conseguem suportar o fogo durante duas horas sem permitir que se espalhe por outros locais.

Dezesseis militares brasileiros cuidam da manutenção da base. Eles e os pesquisadores vão ficar instalados em quartos com duas camas e banheiros. A estação também tem uma sala de vídeo, locais para reuniões, academia de ginástica, cozinha e um ambulatório para emergências.

Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) devem ser os primeiros a trabalhar na estação, desenvolvendo pesquisas na área de microbiologia. A Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA) também já confirmou que vai desenvolver projetos meteorológicos na base brasileira. Criar condições para que os pesquisadores brasileiros atuem na Antártida é importante para a compreender a história do passado e traçar perspectivas para o futuro, de acordo com o professor de geofísica e pesquisador da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) na Antártida, Heitor Evangelista.

“Estudar o manto de gelo da Antártida é estudar um pouco sobre a história e evolução da América do Sul. Todos os processos que ocorrem na América do Sul, tais como a desertificação, erupções vulcânicas, El Niño (fenômeno climático de aquecimento das águas do Oceano Pacífico), cada um desses processos deixam um pouco do seu rastro no gelo da Antártida. Então, quando estudamos o gelo da Antártida, estamos reconstruindo a história do passado para melhor compreendê-la”, disse o pesquisador.

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