Brasil

Mandetta: ‘Um presidente capitão e um ministro general é o mais perto de um estudo duplo-cego que já vi no Brasil’

O ex-ministro da Saúde participou do programa Cidinha Campos nesta sexta-feira

Por Monique Guimarães

Foto: Reprodução/ Rádio Tupi

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta participou do programa Cidinha Campos, na rádio Tupi, e comentou sobre os protocolos que o governo do presidente Jair Bolsonaro está tomando na pandemia desde sua saída. Com a ocupação militar na saúde, Mandetta disse que o Brasil está indo a reboque do novo coronavírus com o relaxamento das medidas de isolamento.

“Acho que o Brasil, como um todo, está indo a reboque do vírus, quase que uma sensação de fatalidade, que a pessoas vão morrer mesmo. Entraram quase que num transe e ficaram acostumado com isso. Houve um relaxamento como se tivesse diminuído os números de casos”, disse ele.

Luiz Henrique Mandetta foi muito criticado por parte do governo pelas medidas de isolamento logo no início da circulação do vírus no país. Segundo o ex-ministro, a decisão foi tomada para preservar o sistema de saúde.

“Naquele momento, quando a gente passou a sugerir o isolamento, a China havia proibido exportação de itens de saúde. O mundo inteiro passou a comprar de uma década para cá máscara, respirador, entre outros equipamentos na China porque era mais barato e desindustrializou o resto do mundo. Então, foi importante tomar essa atitude logo no começo para preservar o sistema de saúde”.

De acordo com Mandetta, a China concentrava 94% da produção de máscaras e equipamentos de EPIS, ou seja, os hospitais começaram a ficar desabastecidos tanto na rede pública como privada. Ele ressaltou que ter adotado o isolamento no início poupou um pouco os equipamentos até conseguir abastecer as unidade de saúde novamente.

Ao ser questionado sobre o Rio de Janeiro, Luiz Henrique Mandetta afirmou que o sistema de saúde do estado precisa estar muito mais integrado para funcionar da melhor forma. “A impressão que eu tenho é que o Rio de Janeiro foi fazendo as coisas desde o início com pouco diálogo entre a prefeitura e o governo do estado. É quase como se tivessem dois projetos paralelos que não se falavam. Historicamente, o Rio tem uma divisão entre estados e municípios em saúde, que precisa ainda ser melhor trabalhada”.

(Foto: Isac Nóbrega/PR)

O presidente da República, Jair Bolsonaro, testou positivo para a Covid-19 e voltou a defender o uso da hidroxicloroquina. Ele apontou que está muito bem fazendo uso da medicação e que viverá por muito tempo. Em maio, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, divulgou um protocolo para ampliar a recomendação do uso da cloroquina por pacientes do novo coronavírus, apesar da falta de comprovação científica de eficácia do medicamento.

Questionado sobre a propaganda do presidente para a cloroquina, Mandetta recriminou o incentivo de Bolsonaro no uso da cloroquina, já que a realidade do presidente, com médicos 24 horas à disposição, não é a forma de tratamento para a maior parte da população. Ele ainda acrescentou que “um presidente capitão e um ministro general é o mais perto de um estudo duplo de cego que já viu no Brasil”.

“A maior parte das pessoas evoluem muito bem com essa doença, mas tem um número que complica, que são as que tem algum problema cardíaco, hipertensão, diabético, mais de 60 anos. Então, essas pessoas tem maior chance de precisar de leitos. Uma parte da população quer acreditar numa fórmula simples, e o político se aproveita disso. Nós somos o único país que está indo por esse caminho [do uso da cloroquina como remédio para o coronavírus]”.

O ex-ministro ressaltou a necessidade das individualidades dos estados. De acordo com ele, não dá para ser ter fórmula única porque o país é do tamanho de um continente.

Mandetta lembrou que quando estava no cargo de ministro da Saúde, o presidente não queria a parte da ciência, mas sim, o lado empírico. “Ele queria uma posição mais intervencionista. O STF que mediou dando autonomia para os estados decidir as prioridades dos serviços. Com isso, ele retirou a equipe e criou essa divisão, dos que eram a favor ou não da cloroquina. Assim, estamos deixando o vírus ficar solto e colecionando esses números altíssimos de vítimas dessa doença”.

Luiz Henrique Mandetta fez um alerta para o pós-pandemia para as outras doenças graves, como o câncer. “Os diagnósticos e biópsias importantes ficaram parados. Esse vírus ainda vai causar muito distúrbio na saúde.

 

 

 

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