Ciência e Saúde

Ancestralidade genética africana pode reduzir as chances de se encontrar um doador de medula óssea

Estudo da Uerj, em parceria com a USP e o Inca, aponta para este resultado. Explicação está na história das migrações humanas

Por Redação Tupi

Estudo da Uerj, em parceria com a USP e o Inca, aponta para este resultado. Explicação está na história das migrações humanas
(Foto: Reprodução)

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Nacional do Câncer (Inca), participou de um estudo inovador que comprova que as pessoas com origem africana têm menores chances de encontrar um doador compatível para transplante de medula óssea.

Segundo os pesquisadores do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Ibrag) e do Instituto de Matemática e Estatística (IME), a explicação está na história das migrações humanas. A nossa espécie se originou na África, deslocando-se para diferentes regiões do mundo. Isso faz com que haja maior variabilidade genética em africanos do que em povos que ocuparam outros continentes, gerando dificuldades adicionais na busca de doadores compatíveis.

Essa constatação já era consensual na comunidade científica internacional. O que o estudo da Uerj traz como novidade é a comprovação de que essa realidade também ocorre no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, o Redome, banco mantido pelo Inca com mais de 5,2 milhões de doadores voluntários de todo o país. A pesquisa apresenta ainda outra inovação importante: além de adotar a classificação do IBGE com a autodefinição de “pretos”, “pardos” e “brancos”, a informação contida no DNA dos doadores foi usada para definir a ancestralidade genética em uma amostra de mais de 8 mil brasileiros.

O estudo registrou quais alelos HLA cada um desses indivíduos possui, permitindo investigar o impacto da ancestralidade nas possibilidades de localizar um doador compatível. A pesquisa demostrou que brasileiros com maior proporção de ancestralidade africana no seu genoma têm uma redução de 60% nas chances de encontrar um doador compatível entre os cadastrados no Redome, quando comparados àqueles de ancestralidade majoritariamente europeia.

Segundo o professor Luís Cristóvão Pôrto, do Laboratório de Histocompatibilidade e Criopreservação do Departamento de Histologia e Embriologia do Ibrag, e um dos coordenadores do projeto, é fundamental que as futuras campanhas para cadastramento de novos doadores possam ser dirigidas à população de ancestralidade africana e mais miscigenada. “Quando um tipo sanguíneo específico está em falta nos bancos de sangue, há campanhas solicitando o aumento de doadores para repor aquele estoque. É a mesma coisa no Redome. Aumentando a quantidade de doadores com ascendência africana, vamos elevar as chances de pessoas de origem africana encontrarem um doador de medula óssea compatível”, declarou.

Pôrto ressalta ainda a importância da atuação multidisciplinar em projetos como esse. Na Uerj, o Ibrag já vem trabalhando com o IME há alguns anos. “Precisamos dos sistemas de informática para lidar e interpretar melhor toda a massa de dados que temos em pesquisas como essa. Por isso, a relação com o IME é tão importante e benéfica. O trabalho multidisciplinar na academia, na ciência de um modo geral, é sempre muito enriquecedor”, afirmou.

Transplantes x compatibilidade

A cura para várias doenças, como a leucemia e a anemia falciforme, é o transplante de medula óssea, onde se localizam as células-tronco responsáveis pela produção de células do sangue. No entanto, a realização do transplante depende da disponibilidade de um doador com perfil imunológico compatível para os genes do sistema HLA (os mais variáveis do nosso genoma), a fim de evitar a rejeição.

Entre irmãos do mesmo pai e da mesma mãe, por exemplo, apenas cerca de 30% são idênticos para as variantes dos genes HLA. Quem não se encaixa nessa estatística e necessita do transplante precisa buscar doadores não aparentados, em registros de voluntários em todo o mundo. Por isso, a importância de aumentar o número de doadores e de se ter variação no perfil desses voluntários.

O professor fala com alegria sobre o trabalho desenvolvido. “É sempre apaixonante lidar com os desdobramentos e descobertas do nosso tema de pesquisa. E quando se tem uma questão prática que pode gerar políticas públicas e melhorar a vida da população, melhor ainda”, concluiu.

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