Ciência e Saúde

Especialista em educação orienta sobre como disciplinar as crianças

Para Telma Abrahão, há formas mais eficazes do que as famosas "palmadas"

Por Redação Tupi

(Divulgação: Agência Brasil)

 

Às vezes você se sente irritada porque seu filho lhe desobedeceu descaradamente. Alguns dias atrás você disse para ele nunca sair na rua sozinho porque era perigoso, e na noite passada, ele abriu a porta e saiu de bicicleta para dar uma volta no quarteirão. Você sente que realmente precisa fazer algo e chamar a atenção dele. A especialista em educação, Telma Abrahão, ressalta que a criança precisa entender a gravidade de suas ações. “Com medo, raiva e desespero dominando sua razão, você não consegue pensar em mais nada a não ser bater e castigar”, diz ela.

Telma diz ainda que em varias situações pode parecer muito obvio que bater seja a única opção eficaz para educar o seu filho e, talvez, realmente funcione em um primeiro momento, pois bater o envergonhará o suficiente para que ele pare o que estava fazendo naquele momento, porém em seguida, você se arrepende e percebe que aquelas palmadas não resolveram o problema.

 

Mas e então? Essas palmadas fizeram alguma diferença? Seu filho mudou seu comportamento por causa dessas ações? E antes que você tenha tempo para refletir sobre essas questões, o incidente logo se repete. Você fica se perguntando, qual é o sentido da palmada se o ciclo vicioso do mau comportamento nunca termina?

“Eu sei como é estar diante de crianças que se comportam de maneira desafiadora, sem ter outras ferramentas para usar, a não ser gritar ou bater. Mas o que eu aprendi e o que gostaria de compartilhar com você é que existem maneiras mais eficazes de disciplinar as crianças”, reforça.

 

Telma Abrahão revela que há 5 estratégias de disciplina mais eficazes do que as palmadas.

Confira: 

 

  1. Mantenha a calma

“Manter a calma em momentos de stress pode ser o maior desafio de todos, mas tenha certeza, que perder a cabeça só irá piorar, e muito, qualquer que seja a situação. Então por que não investir um tempo para aprender sobre o autocontrole e se tornar um bom modelo de calma para o seu filho

As crianças vão ouvir e considerar muito mais o que você diz, se você abaixar de forma respeitosa na altura dos olhos delas e falar com calma e clareza. Lembre-se que os erros são oportunidade de aprendizado, precisamos internalizar esse aprendizado antes de sairmos dando palmadas para punir por erros que fazem parte do processo natural de aprendizado do ser humano. Viemos de uma geração que os erros eram muito mal gerenciados. Precisamos aprender a endereçar os erros das crianças com mais naturalidade, compaixão e assertividade”, continua.

 

A especialista ressalta que quando permanecemos calmos e respeitosos, evitamos que os desafios piorem e virem “lutas por poder”. Dessa forma, é mais provável que seus filhos escutem com atenção as informações que você deseja passar, pois não sentirão a necessidade de se defender.

 

  1. Invista tempo para “treinar” seus filhos

Disciplinar nossos filhos significa investir tempo para que possamos treinar o comportamento que queremos ensinar. Quando dedicamos esse tempo, aumentam as chances de que eles aprendam a se comportar adequadamente, com muita mais colaboração. Essa abordagem ensina seu filho a fazer melhores escolhas no futuro. Por exemplo, quando seu filho estiver aprendendo a atravessar a rua, treine junto com ele nas primeiras vezes a como atravessar com segurança.

 

“Quando chegarmos ao final da calçada, você precisa segurar minha mão. Então, você precisa olhar para os dois lados para ver se algum carro está chegando. Depois de segurar minha mão e olharmos para os dois lados, poderemos atravessar a rua com segurança”, aponta.

Telma reforça para não esperar que seu filho aprenda tudo da primeira vez. “Não aprendemos a andar e nem a falar da primeira vez que tentamos. Todo novo aprendizado vai exigir paciência, dedicação e persistência. Sempre”, continua.

 

 

3.Dedique um tempo de qualidade diariamente

“Saia do modo automático e pare a correria do dia a dia para investir um tempo de qualidade e fortalecer a relação com o seu filho. Se seu filho está se comportando mal com frequência porque precisa de sua atenção, que melhor maneira de resolver o problema do que dar a ele a sua genuína atenção de maneira proativa? Em vez de bater e ser rígido o tempo todo, experimente passar mais tempo de qualidade com ele. Dedicar um tempo especial, durante 20 ou 30 minutos, individualmente, para cada filho todos os dias, é a melhor maneira de combater comportamentos desafiadores por busca de atenção. Dar essa atenção positiva, além de diminuir o mau comportamento, vai melhorar muito a qualidade do relacionamento entre vocês”, adianta.

 

O que poderia ser melhor que isso?

Para a educadora, é importante lembrar que, para aproveitar ao máximo esse tempo juntos, peça ao seu filho que escolha o que ele gostaria de fazer e esteja presente de corpo e alma, sem celulares ou qualquer outras distrações.

 

4.Foque em soluções

“Imagine a seguinte situação: Seu filho de 11 anos, em um ataque de raiva, jogou seu telefone na piscina e inutilizou o seu celular. Você se descontrola, porém bater não traria o celular de volta e muito menos ensinaria alguma importante lição de vida. E se em vez de usar a palmada como ferramenta, você pudesse recuar, respirar fundo, se acalmar e pensar em algo que realmente pudesse trazer algum aprendizado de longo prazo?”, questiona a especialista.

 

“Como por exemplo, se sentar com o seu filho e dizer como essa atitude fez você se sentir: “Fiquei frustrado quando você jogou meu telefone na piscina. Eu trabalhei muito duro para ganhar dinheiro suficiente para comprar esse celular e usar ele como ferramenta de trabalho e de conexão com as pessoas que amo.” Em seguida você poderia fazer uma pergunta do tipo: “O que você acha que poderia fazer para ajudar a resolver essa situação?”, continua.

 

“Você poderia sugerir alguma ajuda em casa ou no seu escritório para que ele pudesse “pagar “pelo prejuízo. Claro que o resultado disso não traria seu celular de volta, mas imagine o impacto duradouro que isso poderia causar na vida do seu filho?

Se ele estava acostumado a jogar no seu celular ou assistir a vídeos, outra opção seria sugerir que ele não poderá mais usar nenhum aparelho da casa até que o telefone novo seja completamente pago. Isso não seria um castigo, mas sim uma consequência lógica como resultado da escolha que ele fez quando decidiu jogar o celular na piscina”.

 

“Ao trabalhar com seu filho de forma respeitosa e firme para desenvolver uma CONSEQUÊNCIA razoável para a ação dele, você reduz a chance de lutas por poder e ganha mais colaboração em troca. Não pense que este é o caminho mais fácil porque não é, aplicar as consequências lógicas e desenvolver um plano juntos pode ser incrivelmente desafiador para os pais. É preciso resistência e força mental para seguir adiante e manter sua palavra, mas você pode ter certeza de que isso seria uma grande lição de vida de longo prazo.”

 

 

  1. Consequências naturais

“As consequências naturais são o resultado natural de uma ação que se desenrola sem o envolvimento dos pais. Um exemplo básico seria: Se não comer, sentira fome. As consequências naturais não são adequadas em situações arriscadas ou perigosas. No entanto, digamos que você tenha avisado seu filho que, se ele deixar o novo brinquedo a pilhas na chuva, ele vai parar de funcionar. Você está cansado de gastar dinheiro em brinquedos que ele esquece no quintal da casa todos os dias.”

 

“Da próxima vez que você ver o brinquedo a pilhas lá fora, encha-se de coragem e não fale nada. Você pode ficar frustrado e com raiva porque seu filho não ouviu o que você falou mais uma vez, no entanto, em vez de chamar a atenção, gritar ou bater, deixe que o “esquecimento” do brinquedo lá fora ensine a lição. Pode parecer um desperdício de dinheiro assistir à chuva destruir o brinquedo novo, mas assim que seu filho perceber que a atitude dele resultou na perda de seu amado brinquedo, e que você não deve substituir, a lição será inestimável. Você pode ter certeza de que, da próxima vez, ele lembrará de trazer seus brinquedos para dentro.”

 

Telma finaliza dizendo que é preciso coragem para permitir que nossos filhos aprendam com os próprios erros, mas esse é um caminho de desenvolvimento de importantes habilidades de vida que farão toda a diferença lá na frente. Educar filhos para serem adultos capazes, resilientes, responsáveis e prósperos é o nosso papel mais importante e desafiador como pais. Com certeza, podemos aprender a fazer diferente, podemos ser melhores para nós mesmos e para aqueles que amamos.

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