Botafogo

Lealdade: O legado de Jefferson no Botafogo

Em entrevista exclusiva, ídolo revela retorno no futuro ao futebol e possibilidade de investir no clube

Por Thiago Veras

Entrevista exclusiva

Repórter Thiago Veras conversa com o ex-goleiro Jefferson

Foto: ANDRÉ FABIANO

Aposentado das quatro linhas, o ídolo Alvinegro Jefferson curte a vida de empresário no interior paulista ao lado da família. O goleiro atraiu cerca de mil torcedores no último sábado no estádio Nilton Santos no lançamento de uma camisa retrô na loja oficial do clube. O ex-jogador falou com exclusividade com a reportagem da Super Rádio Tupi. Inicialmente, Jefferson contou como foi ter novamente o contato com a torcida botafoguense.

“Foi um momento marcante na minha vida voltar a sentir o calor dos torcedores. Isso pra mim não tem preço. Era tudo que busquei esse carinho pós-carreira. Muitos jogadores têm seu momento de glória dentro do futebol e depois que param, acabam caindo no anonimato. Ter esse carinho dos torcedores depois de parar de jogar futebol é gratificante. A torcida do Botafogo sempre me apoiou e costumo dizer que valeu a pena tudo o que passei no clube”, disse Jefferson.

O ex-goleiro recebeu posteriormente uma homenagem da torcedora Andressa Souza, que tatuou o autógrafo dele no antebraço direito. Tal atitude fez o paredão Alvinegro se emocionar.

“Eu vi esse vídeo dela fazendo a tatuagem. É impressionante o amor do torcedor e a gente não tem essa noção. Essa paixão pelo ídolo e jogador. Ela fez essa homenagem e eu fiquei emocionado. Como ela falou, não são todos que têm amor de poder chegar e tatuar o nome do seu ídolo no braço. Isso é permanente. Tem que pensar muito para poder fazer. Não é todo mundo que sai tatuando qualquer coisa no braço, corpo e pele. O que eu posso dizer para a Andressa é que eu agradeço de coração, valeu muito a pena o que fiz e passei no Botafogo para hoje ver o carinho dos torcedores e principalmente da Andressa. Muito obrigado e vou continuar honrando o Botafogo. Sei que essa tatuagem é o reconhecimento do Botafogo. Pode ter certeza que aumentou a responsabilidade de levar o nome e a estrela do clube por onde eu andar. Obrigado, Andressa! Um beijo pra você e para todos os botafoguenses! Vamos pra cima e quem sabe um dia estaremos juntos novamente”.

Confira a entrevista completa abaixo.

Legado

Não só no Botafogo, mas também em outros clubes que passei foi a questão de poder vestir a camisa. A lealdade foi fundamental. No momento em que mais precisei do Botafogo ele me estendeu as mãos. No momento em que o Botafogo mais precisou de mim eu também pude estender as mãos. A lealdade de permanecer no Botafogo principalmente em 2014 foi um legado que não só o Botafogo vai usar isso com outros atletas no momento em que estiverem pensando em sair do clube, mas que eles possam pensar e ver a história que passei no clube e falar que valeu a pena. Em outros clubes também. Tanto que eu saio nas ruas e muitos torcedores falam que gostariam de ter jogadores como eu representei o Botafogo. Isso pra mim é gratificante.

Vida de empresário

Estou aqui no estado de São Paulo acompanhando vocês pela mídia, rede social e principalmente o nosso Botafogo. Hoje estou feliz. Graças a Deus estou realizado ao lado da minha família. Tenho outros projetos; não no futebol, mas em outra área que é o Beato Cafeteria. Posso dar mais atenção as minhas filhas, levá-las na escola, participar mais das tarefas ao lado da minha esposa. Claro que depois a gente pensa em voltar ao futebol, mas hoje meu negócio é a Beato cafeteria.

Realizado por completo no futebol

Sim, me realizei por completo. De onde eu vim e onde Deus me colocou não tem preço. Sou muito grato a Deus e aos times que abriram as portas pra mim. Joguei em um dos maiores clube do Brasil que é o Botafogo. Tive a oportunidade de jogar na Seleção Brasileira, disputar a Copa do Mundo, ser campeão pela Seleção e pelo Botafogo. Sou o terceiro jogador que mais vestiu a camisa do Botafogo. Então só tenho que agradecer.

Volta ao futebol

Creio que sim. Tudo na vida é fase. Hoje meu momento é aqui, mas depois que estiver tudo resolvido com as minhas filhas maiores, elas mesmas vão buscar o espaço delas, vai ser a oportunidade de voltar ao futebol. Pretendo fazer alguns cursos profissionalizantes, para estar me aperfeiçoando na área em que vou querer atuar. Creio que esse é um momento de estudar. Não vou ficar fora do futebol. Indiretamente, estarei me preparando para no futuro quem sabe poder voltar como preparador de goleiros, dirigente ou até mesmo treinador. Nada está descartado.

Profissionalização do futebol do Botafogo

Encaixou mais do que uma “luva”. Eu tive a oportunidade de estar no Botafogo durante 10 anos e vi a dificuldade do clube. O Botafogo tem uma possibilidade muito grande de se reerguer. Estão chegando pessoas que não querem somente investir no clube, mas por amor e isso é importante. Eu venho acompanhando algumas matérias e, todos aqueles que estão envolvidos, amam e se preocupam com o Botafogo. Faço votos que o clube possa não só montar times, mas montar uma equipe que possa disputar grandes competições, chegar em grandes finais. Meu sonho é ver o Botafogo crescendo. Quem sabe um dia a gente possa fazer parte desse projeto. Roemos muito o osso e quem sabe um dia possamos comer o filé.

Ser um futuro investidor

Sem dúvida. Claro que hoje não tenho essa bala na agulha para investir. Se eu tivesse com certeza investiria no Botafogo. Estou começando um projeto muito legal e importante que é a formatação do Beato Cafeteria. Se Deus quiser um dia terei um recurso para investir no time que abriu as portas pra mim e é o time que amo. Isso seria um sonho. Quem sabe o Beato Cafeteria estampado na camisa do Botafogo.

Momento do futebol

Eu acompanho direto o Botafogo e a expectativa é muito grande. Falo com alguns jogadores também. Hoje o Botafogo está muito nesse sobe e desce. A dificuldade nos bastidores existe, atrasos de salários, enfim… Isso acaba prejudicando os jogadores e os torcedores. Eu converso com alguns atletas para eles terem a paciência que alguns tiveram. A tendência do Botafogo é melhorar bastante.

Gatito virar ídolo

É um cara que tive a oportunidade de trabalhar e gosto muito. Em pouco tempo já conquistou o carinho dos torcedores. Já mostrou o potencial que ele tem. Com certeza, o Gatito é e tem que ser muito grato ao Botafogo, porque é o time que o colocou nessa visibilidade que está hoje. Creio que ele está seguindo o mesmo caminho que eu. O Botafogo ajudou no sentido de abrir as portas e agora o clube está precisando dele. Creio que ele vai ficar e sempre honrar esse manto como sempre honrou. Torço demais para ele bater muitos recordes e fechar o gol do nosso Botafogo.

Melhor e pior momento botafogo

Momentos bons graças a Deus tenho bastante. Em 2010 me firmei no gol do Botafogo naquele título em cima do Flamengo com o pênalti do Adriano. A minha primeira convocação também foi em 2010 e marcante pra mim. Outro momento bom foi em 2013, quando o Botafogo conseguiu formar um dos melhores times com o Oswaldo de Oliveira, quando chegou à Libertadores. Dois momentos excelentes onde tive a oportunidade de ser um dos melhores goleiros do Campeonato Brasileiro. O momento triste no Botafogo foi com certeza em 2014, onde infelizmente a gente acabou sendo rebaixado para a série B.

Melhor e pior momento na seleção

Tive momentos ótimos na Seleção. Eu fui em uma crescente na Seleção Brasileira. Cheguei na reserva, fui conquistando meu espaço e comecei a jogar. Fiz grandes jogos contra a Argentina pegando pênalti do Messi, contra a França foi um excelente jogo. Fui tricampeão do Superclássico das Américas. O único ponto negativo foi aquele episódio que aconteceu que eu achei que deveria ter um pouco mais de crédito por tudo que fiz. Aquele momento não concordaria em ter saído pelo que eu vinha fazendo. Ali foi triste.

Ser preparador de goleiros

Seria sim. Claro que hoje tem que começar por baixo, principalmente tendo experiência no Sub-20.

Importância do trabalho com os pés dos goleiros na base

A questão dos goleiros jogarem com os pés é uma cultura que tem que existir nos clubes. Hoje o país não tem essa cultura. Os goleiros de base nos times brasileiros não têm essa obrigação. Os próprios zagueiros não jogam com os goleiros. Jogam a bola para o goleiro desafogar a jogada. É diferente! Eles não formam um triângulo para o goleiro participar, eles fazem o jogo deles e quando enxergam que o atacante adversário pressionou aí mandam no goleiro já marcado e tendo que chutar pra frente. Lá fora é diferente o treino. O goleiro é um líbero. Você faz o goleiro como um volante na realidade. A cultura tem que mudar.

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