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UFRJ recomenda ‘lockdown’ no estado do Rio

Para a universidade, o isolamento deve-se somar a ações básicas de manutenção da vida e da saúde

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Prédio da Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Prédio da Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Foto: Reprodução/Agência Brasil)

(Divulgação: Agência Brasil)

A Universidade Federal do Rio de Janeiro enviou neste fim de semana um ofício ao Ministério Público em que recomenda o lockdown, ou seja, isolamento total no estado por causa da pandemia de covid-19.

O Ministério Público solicitou informações à UFRJ, na última quarta-feira, acerca de estudos para auxiliar gestores públicos na tomada de decisão quanto as medidas mais rígidas de isolamento social.

Para a universidade, o lockdown deve-se somar a ações básicas de manutenção da vida e da saúde. O estado deve garantir o abastecimento em geral, dos alimentos e medicamentos, segurança, serviços essenciais de entrega em domicílio e autorização de circulação a partir de autodeclaração, em caso de extrema necessidade e com obrigatoriedade do uso de máscaras.

Para que o lockdown seja eficiente e eficaz, a UFRJ sugere que sejam observadas as seguintes ações, 11 ao todo:

1.Definir critérios explícitos, mensuráveis, e inteligíveis sobre a evolução da epidemia e as condições que garantam o término e consequente saída programada do isolamento;

2. Ampliar a comunicação social, disponibilizando oportunamente à população informação atualizada e clara sobre a evolução da epidemia;

3. Promover a colaboração mútua entre lideranças comunitárias e serviços públicos atuantes na distribuição de produtos de higiene e de alimentos e na disseminação das informações relacionadas à necessidade e importância do isolamento social;

4. Centralizar na esfera estadual do Sistema Único de Saúde (SUS) a cadeia de comando dos sistemas de saúde público e privado, promovendo uma gestão coordenada entre unidades hospitalares, de urgência, ambulatoriais e de atenção primária à saúde;

5. Garantir a concretude dos planos de aparelhamento e abertura de leitos hospitalares (inclusive das ações de provisionamento de recursos humanos e insumos estratégicos) para suprir as demandas assistenciais da população afetada pela COVID-19 em todos os níveis de complexidade;

6. Assegurar maiores repasses do governo federal para ampliação de recursos para áreas prioritárias e compensar queda de arrecadação de forma a manter o pleno funcionamento dos serviços públicos estaduais;

7. Garantir as condições básicas de sobrevivência dos cidadãos, com medidas de transferência de renda para população e acesso às condições mínimas de segurança alimentar e aos serviços de saúde, de forma a permitir o respeito às medidas de isolamento social;

8. Garantir a continuidade da provisão de serviços de utilidade pública – como água, esgoto, gás, energia elétrica –, que estão sujeitos à inadimplência por descontinuidade dos fluxos de renda;

9. Garantir o auxílio a empresas na forma de crédito para capital de giro a baixo custo;

10. Garantir a infraestrutura de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), a fim de manter os serviços de internet em funcionamento tanto para os gestores estaduais e municipais quanto para a população em geral;

11. Garantir a troca de informações de casos entre estados e municípios do estado de Rio de Janeiro de forma a constituir uma base única de consulta e inserção da informação.

 

A UFRJ informou que as justificativas que embasaram o estudo do Grupo de Trabalho estão as experiências internacionais e as projeções modeladas nos grupos científicos da Universidade que alertam que o aumento de casos de COVID-19 provocará colapso do sistema de saúde em curto espaço de tempo, e que o mês de maio será o mais crítico em relação à incidência da doença.

Além disso, análises preliminares realizadas por grupos de estudo da UFRJ sugerem que a redução da mobilidade urbana nos transportes públicos da região metropolitana do Rio sequer atingiu 50%, patamar considerado insuficiente para o controle da curva de crescimento da COVID-19.

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