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‘A morte da Marielle é o atestado de óbito do Rio de Janeiro’, diz Freixo

Durante a entrevista o deputado disse que o início da investigação da Polícia Civil teve "erros" graves

Por Redação Tupi

Vereadora foi a quinta mais votada no Rio em 2016 (Foto: reprodução)

O assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes completou três anos em 2021. Ainda sem respostas sobre o mandante, o ocorrido marcou o mundo e levou milhares de pessoas às ruas em busca de resposta e justiça. Em entrevista ao programa De Frente Com Elas, o deputado Marcelo Freixo, parceiro de luta e amigo de longa data de Marielle, relembrou o dia 14 de março de 2018, quando recebeu a notícia do atentado contra a vereadora no bairro do Estácio, Zona Central do Rio de Janeiro.

“O Marcelo Sales me ligou e eu perguntei o que aconteceu. Ele disse que a Fernanda e a Marielle estavam no carro e que ele tinha sido metralhado. Eu pensei: bala perdida, assalto, blitz… lamentavelmente no Rio de Janeiro essas coisas podem acontecer.’’, diz Freixo.  Ele lembra que perguntou primeiro sobre Fernanda, assessora de Marielle, que já estava em casa. Em seguida perguntou sobre a amiga. Foi quando recebeu a resposta de Marcelo, marido de Fernanda, “Marielle tá no carro’’.  “Aquilo gelou em mim porque em nenhum momento entrou na minha cabeça a ideia da Marielle morta. Eu fiquei desesperado e fui pra lá’’, relembra Marcelo Freixo.

Marielle era parceira política e amiga de Freixo. (Foto: reprodução)

Depois de três anos o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes segue sem respostas sobre o mandante. Para Marcelo Freixo, o início da investigação feita pela Polícia Civil apresentou diversas falhas e deveria ser investigado.  O Responsável pelo inquérito do caso, delegado Giniton Lages, foi afastado do caso em março de 2019. ‘’Por que não pegaram determinadas câmeras? Eu não sou polícia, mas supondo que mataram uma pessoa e você virou  delegado daquele caso. O que você vai fazer? Na mesma hora vai mandar pegar as câmeras, é o beabá. Não pegaram câmeras em locais decisivos. Cometeram erros, que eu vou chamar de ”erros”, muito graves que precisam ser investigados’’, contesta Freixo.

Confira o trecho em que o deputado relembra o caso:

Confira a entrevista completa:

Relembre o caso Marielle Franco

Conhecida pela força e determinação, Marielle sempre estava envolvida em causas sociais. (Foto: reprodução)

No dia 14 de março de 2018, após sair de um evento na Casa das Pretas, na Lapa, Centro do Rio e seguir pelo bairro do Estácio, o carro onde estava a vereadora Marielle Franco, sua assessora, Fernanda Gonçalves e o motorista Anderson Gomes, foi metralhado. Marielle e Anderson morreram no local e Fernanda, que estava no banco do carona,  não foi atingida por nenhum dos disparos.  A execução abalou o mundo pela frieza e ganhou cunho político pela representatividade da vereadora. Mulher, negra, lésbica e cria da favela da Maré, a ativista dos direitos humanos atuava contra grupos fortes do crime e era um símbolo de esperança e força para os que conheciam seu trabalho.

Quem matou Marielle Franco?

No dia 10 de março de 2020 a justiça do Rio determinou que o PM reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, fossem a júri popular pelas mortes de Marielle e Anderson.  De acordo com as investigações, Ronnie Lessa estaria no banco de trás do Cobalt que perseguiu o carro da vereadora. Élcio dirigia o carro usado para perseguir as vítimas. Os dois respondem por diversos crimes, entre eles duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, emboscada e sem dar chance de defesa às vítimas.

Entretanto, ainda há buracos na investigação. A arma do crime não foi encontrada. Segundo a perícia, o assassino usou uma submetralhadora MP-5 com munição UZZ-18, mas o paradeiro da arma é um enigma. Testemunhas dizem que um aliado de Ronnie Lessa teria um material no mar. A desova teria acontecido nas Ilhas Tijucas, a cerca de 2 km da orla da Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade. A Marinha do Brasil fez procuras, mas não encontrou nada. O mandante da execução também é um enigma.  São diversas linhas de investigação que não chegaram a lugar nenhum. A força-tarefa de investigação é formada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, e pela Delegacia de Homicídios (DH) da Polícia Civil da capital.

Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle Franco. (Foto: reprodução)

 

Élcio de Queiroz, acusado de dirigir o carro que perseguiu a vereadora após ela deixar a Casa das Pretas, na Lapa. (Foto: reprodução)

O que levou Marielle a ser morta?

De acordo com as investigações a motivação era as causas defendidas pela vereadora. Há provas que mostram que o crime foi planejado meses antes da execução. Entre as linhas de apuração relacionadas à motivação do crime estão:

  • Grilagem de terras na Zona Oeste do Rio: uma das linhas diz que a vereadora foi morta por milicianos que tinham Marielle como uma ameaça ao negócio de grilagem de terras na Zona Oeste do Rio de Janeiro;
  • Operação Os Intocáveis (2019): Em janeiro cinco pessoas foram presas numa operação contra milícia que age em grilagem de terras no Rio. Entre elas, o major Ronald Paulo Alves Pereira, suspeito de participar da morte da vereadora. A Polícia Civil não divulgou o nível do envolvimento do major no caso;
  • Operação Lume: No dia 12 de março de 2019 a Polícia Civil e o MPRJ prenderam Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz.

Durante as investigações nomes de políticos brasileiros apareceram como autores intelectuais do crime, ou seja, responsáveis pelo planejamento. Todos os citados negam as acusações que não se desenvolveram.

Sementes de Marielle

A família da vereadora criou o Instituto Marielle Franco com o objetivo de manter vivo o legado da ativista. No site do Instituto é possível ver diversas ações e causas que ela defendia.  Entre elas a “Agenda Marielle Franco’’, conjunto de compromissos e práticas construídas de acordo com a trajetória política de Marielle. Nela, candidatas eleitas se comprometem com o desenvolvimento de políticas sociais. Na plataforma é possível conhecer mais sobre as ações e cobrar das eleitas que cumpram seus compromissos firmados.

O Instituto também desenvolveu o “Mapa Corona nas Periferias’’, que mapeia e dá luz a iniciativas de combate ao coronavírus nas favelas e periferias do Brasil.

Acesse o site em: https://www.institutomariellefranco.org/

 



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