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Há 30 anos, morria Dener, craque do Vasco, num acidente de carro

Craque vascaíno teve sua trajetória interrompida de maneira trágica

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Dener em 1994 (FOTO: Reprodução)
Dener em 1994 (FOTO: Reprodução)

Em 19 de abril de 1994, o Vasco e o futebol brasileiro perdiam Dener, um dos mais brilhantes jogadores de sua geração. O atacante sofreu um fatal acidente de carro, no fim da madrugada, pouco antes de chegar em sua casa, na Lagoa, Zona Sul do Rio. Sua morte, no auge da carreira e meio a um grande momento pelo Cruzmaltino, deixou a cidade de luto, assim como a todas as torcidas do Rio. Ele tinha 23 anos e, menos de dois dias antes do acidente, fizera o último jogo de sua vida: um Vasco x Fluminense.

Dener em 1994 (FOTO: Reprodução)

Dener tinha apenas 23 anos quando morreu (FOTO: Reprodução)

Dener, que chegou ao Vasco no começo daquele ano de 1994, já estava impressionando por sua qualidade. Foi com ele envergando a camisa 10 que o clube de São Januário faturou o título da Taça Guanabara. O atacante deu um show na decisão contra o Flu, embora não tenha feito gol. Pelo clube, balançou a rede cinco vezes, estreando num amistoso contra o Newell’s Old Boys, da Argentina, onde jogava Maradona. E Diego o aplaudiu após o empate em 0 a 0.

No Vasco, Dener estava emprestado pela Portuguesa-SP. Anteriormente, já tinha passado pelo Grêmio, onde foi campeão gaúcho em 1993. Mas, na Lusa, sua trajetória promissora já tinha começado com tudo: conquistou a Copa São Paulo de Juniores e chegou à Seleção Brasileira, atuando em dois jogos. O estilo habilidoso e os dribles desconcertantes logo conquistaram a torcida vascaína, que chegou a cantar: “é cafuné, é cafuné, o Dener é a mistura do Garrincha com Pelé”.

O acidente

No dia 17 de abril, um domingo, Dener não teve atuação de grande destaque no clássico diante do Fluminense. Aliás, ele se envolveu numa discussão áspera com Branco, lateral tricolor, com quem chegou a trocar agressões. Foi expulso e ficaria suspenso para o jogo seguinte do Campeonato Carioca, contra o Flamengo. Depois do jogo, foi para São Paulo, onde encontrou a família e adiantou os trâmites de uma futura negociação com o Stuttgart, da Alemanha.

No fim da noite da segunda-feira, embarcou em seu carro, um Mitsubishi Eclipse, ao lado do amigo Otto Gomes de Miranda, que vinha dirigindo. Ambos voltaram ao Rio de Janeiro, onde Dener tinha um treino marcado para a manhã de terça, em São Januário. Mas, por volta das 5h15, a poucos quarteirões do edifício onde Dener morava, Otto dormiu no volante e chocou-se contra um poste, na Avenida Borges de Medeiros.

Acidente de Dener em 19 de abril de 1994 (FOTO: Delfim Vieira/Agência Estado)

Acidente de Dener, em 19 de abril de 1994 (FOTO: Delfim Vieira/Agência Estado)

Otto sofreu graves lesões e ficou paraplégico, mas Dener teve um destino muito pior. Com o banco do carona reclinado, o tranco do cinto de segurança pressionou seu pescoço de maneira fatal: o atacante morreu na hora. A notícia da tragédia logo se espalhou e os jogadores vascaínos foram chegando ao local do acidente, onde se depararam com a triste cena do companheiro caído, sem vida, dentro do carro.

As homenagens do Vasco foram muitas. Semanas depois, o clube conquistou o tricampeonato carioca, dedicado a Dener. Logo em seguida, organizou-se a Copa Dener, com a presença de Portuguesa, Botafogo, Cruzeiro, Atlético-MG e Santos, que foi o campeão. Mais recentemente, o clube tem feito ações que recordam o genial atacante que se foi cedo demais. Por ironia do destino, o clássico contra o Fluminense, justamente o último jogo da vida de Dener, se repetirá já neste sábado (20), pelo Brasileirão.

A lembrança e o carinho dos companheiros

A tristeza pela partida de Dener nunca apagou a lembrança de seu futebol moleque, artístico e até um pouco displicente. Um estilo de jogo que surpreendeu até o técnico Jair Pereira. Comandante do Vasco em 1994, ele relembra o amistoso contra o Newell’s Old Boys, na Argentina. E o sorriso maroto de Dener comprovava que o atacante, em campo, só queria se divertir.

“Lá pelos 20 minutos, ele pegou uma bola, driblou o Maradona, driblouna defesa, todo mundo… Eu falei: ‘que é isso, rapaz?’. E ele me respondeu que preferia fazer esses dribles todos até do que marcar um gol. Mas ele vibrava até quando chutava uma bola na trave. Tecnicamente, foi um dos melhores jogadores que treinei era diferenciado. Se não tivesse morrido, com certeza teria chegado à Seleção Brasileira”, lamenta Jair.

A saudade também é grande para Luisinho Quintanilha, volante que chegou ao Vasco naquele mesmo ano de 1994. Ele ofereceu seu apartamento para Dener se abrigar, numa altura em que o atacante ainda não tinha casa no Rio. E as recordações do meio-campista são as mais ternas possíveis:

“Falar do Dener sempre nos deixa emocionados por lembrar do futebol maroto, moleque que ele tinha. E pela saudade do grande companheiro que era, uma pessoa muito alegre. Desde a nossa pré-temporada, na Granja Comary. É uma ausência dentro do futebol, das jogadas maravilhosas, da genialidade e das fintas. Ele sempre foi muito delicado. Na preocupação de não faltar a um treino, acabou voltando para o Rio de carro, em vez de voltar de avião, e acabou acontecendo aquela tragédia. O título de 1994, é claro, nós dedicamos a ele”.

Horas depois do acidente, o cantor Luiz Melodia, hoje também falecido, esteve no local onde Dener se despediu. Vascaíno apaixonado, dedicou, emocionado, a letra de uma de suas canções ao craque: “se vocês querem um aviso, vou dar  / Por favor, deixe o menino jogar”. E, em algum canto de São Januário, aquele franzino camisa 10, de alguma forma, segue driblando e encantando os corações cruzmaltinos, mesmo depois de três décadas de sua partida física”.

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