Perseguição por 10 anos: como redes sociais e PIX de R$ 0,01 viraram ameaça - Super Rádio Tupi
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Perseguição por 10 anos: como redes sociais e PIX de R$ 0,01 viraram ameaça

Prisão de 'Mestre Slar' expõe 10 anos de perseguição digital e chantagem contra jovem

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Foto: Reprodução

Ademir da Costa Verrheryen, conhecido como “Slar” e “Saf”, foi preso preventivamente pela Polícia Civil após investigação que documentou quase dez anos de perseguição digital, chantagem e exposição de imagens íntimas contra uma mesma vítima. O caso revela como dezenas de identidades falsas foram usadas para controlar psicologicamente uma vítima desde os 12 anos.

O primeiro contato aconteceu em 2016, em um grupo de WhatsApp sobre anime e RPG. O que a vítima ainda não reconhecia como crime foi se tornando, ao longo dos anos, um ciclo sistemático de ameaças e coerção que se estendeu pela adolescência até a vida adulta.

Rede de perfis falsos e intimidação à família

A investigação mapeou dezenas de e-mails, números de telefone e perfis em plataformas como WhatsApp, Facebook, TikTok, YouTube e sites de conteúdo adulto, todos interligados. O suspeito criou um canal no YouTube com o nome da vítima e perfis em plataformas adultas, enviando os links diretamente a ela. Entre 2025 e 2026, passou a enviar transferências via Pix de R$ 0,01 acompanhadas de mensagens, sinalizando vigilância constante.

A perseguição alcançou familiares. A mãe da vítima recebeu vídeos com ameaças de invasão à residência. Uma prima foi atingida por imagens íntimas enviadas por um perfil falso criado com o nome de uma parente. Colegas e outras pessoas foram abordadas e algumas sofreram ameaças ao se recusar a colaborar.

Em interrogatório, Ademir confirmou o uso de múltiplos chips, e-mails e contas falsas, o armazenamento de conteúdo íntimo e o envio do material a terceiros. Admitiu também ter solicitado imagens da vítima quando ela ainda era menor de idade.

Mandado não cumprido e possíveis novas vítimas

Um mandado de busca e apreensão não pôde ser executado porque o investigado forneceu um endereço impreciso em área dominada por facção criminosa. Apenas um celular foi apreendido para perícia.

A investigação identificou ao menos uma possível nova vítima, que será apurada em procedimento separado. Em depoimento, a vítima afirmou viver sob “constante sensação de ameaça” e que precisará de acompanhamento psicológico. A Polícia Civil pede à imprensa que divulgue o caso para que outras possíveis vítimas se apresentem em uma delegacia.