Antes de virar polo turístico, Cabo Frio foi palco de briga pelo pau-brasil e disputada por portugueses e franceses

A atual imagem de Cabo Frio, marcada pelo mar azul-turquesa, pelas praias extensas e pela intensa atividade turística, esconde uma trajetória que começou séculos antes da chegada dos visitantes. Conheça parte dessa história pouco conhecida de um dos destinos turísticos mais procurados do Rio de Janeiro!

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A região ganhou importância ainda no período colonial por causa do pau-brasil, madeira valorizada no mercado europeu pelo pigmento de cor avermelhada. Em 1503, uma expedição portuguesa ligada a Américo Vespúcio instalou uma feitoria na área da atual Praia dos Anjos, hoje pertencente a Arraial do Cabo, município que no passado integrou o território de Cabo Frio.

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A exploração da madeira também despertou o interesse dos franceses, que mantiveram contatos comerciais com grupos indígenas e disputaram o controle da costa com os portugueses. A reação portuguesa ganhou força em 1615, quando os franceses foram expulsos da região.

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No ano seguinte, os portugueses fundaram a Vila de Santa Helena de Cabo Frio e criaram estruturas destinadas à defesa do novo núcleo. A ocupação avançou por uma área de restinga situada entre o oceano e a Lagoa de Araruama, característica que teve grande influência sobre a formação da cidade.

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O terreno arenoso limitava algumas atividades agrícolas, mas a proximidade com as águas favoreceu a pesca e, mais tarde, a produção de sal. O Canal do Itajuru também ganhou uma função decisiva, pois estabelece a ligação entre a lagoa e o mar e serviu como rota de circulação e ponto estratégico para a ocupação.

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Em 1617, o núcleo português foi transferido para a região da Passagem, mais próxima do canal. A defesa desse acesso ganhou reforço com a construção do Forte São Mateus, erguido no século 17 sobre uma formação rochosa junto à entrada do canal. A posição permitia controlar a movimentação de embarcações e proteger um dos principais caminhos para o interior.

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Atualmente, a fortificação é um dos símbolos históricos mais conhecidos de Cabo Frio e contrasta com a paisagem urbana e turística que se expandiu ao redor dela. O bairro da Passagem também conserva vestígios dessa fase, com destaque para a Igreja de São Benedito e outras construções ligadas ao antigo núcleo colonial.

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O patrimônio local recebeu reconhecimento federal ao longo do século 20, inclusive com o tombamento do conjunto paisagístico em 1967 pelo Iphan. A proteção considera não apenas edifícios antigos, mas a relação entre construções, praias, dunas, restinga, canal e outras formas naturais.

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Hoje, Cabo Frio recebe turistas atraídos sobretudo pelas praias, pelos passeios e pela paisagem costeira, mas seus principais cenários também ajudam a contar a história de sua formação. Do Mirante Natural da Boca da Barra ao Forte São Mateus, é possível perceber como o mar e o canal influenciaram a trajetória do município.

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