Considerada a última pessoa nos Estados Unidos a depender de um "pulmão de aço" para respirar, Martha Ann Lillard morreu aos 78 anos no dia 26 de junho em decorrência de complicações da Covid longa. Ela contraiu poliomielite aos 5 anos, antes da introdução da vacina contra a doença no país, e perdeu grande parte da capacidade pulmonar.
Desde então, ela viveu por mais de sete décadas ligada ao equipamento, que considerava essencial para respirar com conforto. Nos últimos anos, além da síndrome pós-pólio, enfrentou dificuldades para manter o aparelho em funcionamento, devido à falta de peças de reposição e de profissionais especializados em reparar o equipamento fabricado na década de 1940.
Crédito: Reprodução/YouTubeApós a morte de Paul Alexander, em 2024, Ann Lillard passou a ser reconhecida como a última usuária conhecida de um pulmão de aço nos Estados Unidos. Assim como Martha, Paul ficou 70 anos tendo que viver dentro do equipamento, também em decorrência da poliomelite. Veja como funciona um "pulmão de aço"!
Crédito: Reprodução/YoutubeO "pulmão de aço", também chamado de "pulmão de ferro", foi um dos equipamentos mais importantes no tratamento de pacientes com poliomielite que perderam a capacidade de respirar sem algum auxílio. O aparelho utilizava um sistema de pressão negativa para expandir e contrair os pulmões de forma automática, permitindo a respiração.
Crédito: CDC Public Health Image LibraryCriado pelos norte-americanos Philip Drinker e Louis Agassiz Shaw, na Escola de Saúde Pública de Harvard, o equipamento ganhou destaque durante as grandes epidemias de poliomielite, especialmente nos Estados Unidos, onde a doença atingiu seu auge em 1952.
Crédito: CDC/GHO/Mary HilpertshauserA rotina dos pacientes era bastante difícil, pois exigia cuidados médicos constantes e tornava tarefas simples, como comer, lavar o corpo ou coçar o rosto, extremamente complicadas. Muitos permaneceram na máquina apenas por algumas semanas ou meses, mas aqueles que sofreram paralisia permanente dos músculos respiratórios precisaram utilizá-la por toda a vida.
Crédito: ReproduçãoA recuperação também incluía fisioterapia para fortalecer os músculos e evitar atrofias. Com o desenvolvimento da vacina contra a poliomielite na década de 1950, os casos da doença diminuíram de forma significativa e o pulmão de aço perdeu espaço para ventiladores mecânicos mais modernos, que oferecem maior acesso ao paciente e melhor monitoramento dos sinais vitais.
Crédito: Wikimedia Commons/Chris LightApesar disso, algumas pessoas continuaram utilizando o equipamento por preferência ou adaptação, como Paul Alexander, que escolheu permanecer no pulmão de aço para evitar procedimentos invasivos exigidos pelos respiradores mais recentes.
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