Mais de dois mil anos após sua construção, o lendário Farol de Alexandria está mais próximo de ser "reerguido" graças aos avanços da tecnologia. Isso porque um consórcio internacional de pesquisadores trabalha na criação de uma réplica digital da antiga estrutura, considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
A iniciativa reúne especialistas em arqueologia submarina, engenharia e modelagem tridimensional para reconstituir, com o máximo de precisão possível, um dos monumentos mais emblemáticos da Antiguidade. Como parte desse trabalho, mergulhadores retiraram do fundo do mar 22 enormes blocos de pedra que pertenciam ao farol, alguns com peso superior a 70 toneladas.
Crédito: GEDEON Programmes/CEAlexA missão, coordenada pela arqueóloga Isabelle Hairy, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), recuperou componentes arquitetônicos que faziam parte da entrada principal da construção, entre eles grandes lajes de granito e peças estruturais preservadas no leito do Mediterrâneo.
Crédito: GEDEON Programmes/CEAlexEsses vestígios serão combinados a mais de uma centena de fragmentos registrados digitalmente em expedições anteriores. Todos os elementos passarão por um processo de escaneamento de alta precisão que permitirá reproduzir cada detalhe da antiga torre em ambiente virtual.
Crédito: Wikimedia Commons/Emad Victor SHENOUDACom esse conjunto de informações, especialistas da Fundação Dassault Systèmes serão capazes de desenvolver uma representação digital completa do farol e poderão testar diferentes hipóteses sobre sua arquitetura e seu comportamento estrutural.
Crédito: Creative Commons/Robert von. Spalart/Wellcome Library, LondonA pesquisa também pretende esclarecer como a construção de cerca de 100 metros de altura, projetada pelo arquiteto grego Sóstrato de Cnido, conseguiu permanecer em pé durante aproximadamente 16 séculos, apesar dos frequentes terremotos que atingiam a região.
Crédito: Imagem gerada por IAUma das teorias investigadas sugere que camadas de chumbo entre os blocos funcionavam como amortecedores naturais contra os abalos sísmicos. Outro aspecto analisado envolve o complexo sistema que mantinha a luz do farol acesa.
Crédito: Imagem gerada por IAEstima-se que havia uma rampa helicoidal para que mulas transportassem carvão vegetal até o topo. Esse combustível garantia uma queima limpa e eficiente, o que impedia que a fumaça borrasse os espelhos refletores de bronze polido que ampliavam o alcance da iluminação para orientar os navios que se aproximavam do porto de Alexandria.
Crédito: Imagem gerada por IAAlém de resgatar a história de um dos maiores símbolos da engenharia antiga, o projeto poderá abrir caminho para a reconstrução digital de cidades, portos e outros patrimônios arqueológicos que hoje permanecem escondidos sob as águas em diferentes partes do planeta.
Crédito: Wikimedia Commons/SciVi 3D studio