A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) voltaram a pressionar os países pela criação de regras que estabeleçam limites para as armas autônomas. Esses equipamentos, que passaram a ser chamados de "robôs assassinos", utilizam tecnologias capazes de localizar e selecionar alvos com pouca ou nenhuma intervenção humana direta.
As duas instituições não defendem que toda tecnologia autônoma seja proibida, mas consideram indispensável estabelecer restrições para impedir usos considerados inaceitáveis. Embora reconheçam que esses sistemas já estão em fase de desenvolvimento, ONU e CICV afirmam não ter confirmação de que tenham sido implementados em operações de combate.
Crédito: Reprodução/TV GloboPara essas entidades, a regulamentação deve surgir antes de uma eventual expansão desse tipo de armamento. Em uma declaração conjunta, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidente do CICV, Mirjana Spoljaric, alertaram para o risco de máquinas passarem a decidir sozinhas quem deve ser atacado.
Crédito: Reprodução/TV GloboTanto a ONU quando a Cruz Vermelha consideram que a evolução acelerada das tecnologias militares está ocorrendo mais rápido que a capacidade das normas internacionais de acompanhar essas mudanças, criando uma brecha que pode aumentar os riscos para a população civil.
Crédito: Reprodução/TV Globo“Estamos perigosamente perto de cruzar uma linha vermelha moral: que humanos virem alvo de máquinas autônomas”, diz um trecho do comunicado lido por uma porta-voz. O alerta vem depois da confirmação de que um drone russo matou três civis no dia 6 de junho, em Zaporíjia, na Ucrânia.
Crédito: Reprodução/TV GloboO tema voltará ao centro das discussões em novembro, durante uma reunião em Genebra sobre a Convenção sobre Certas Armas Convencionais. Para ONU e CICV, esse acordo representa atualmente a principal oportunidade para estabelecer normas internacionais obrigatórias sobre sistemas autônomos de armas.
Crédito: Reprodução/X/@reutersAs negociações sobre o assunto se prolongam há anos, enquanto drones e outros equipamentos não tripulados ganham espaço em conflitos como os da Ucrânia, do Oriente Médio e do Sudão. Na Ucrânia, veículos robóticos terrestres já são usados principalmente para transporte de materiais, entrega de suprimentos e retirada de soldados feridos, reduzindo a exposição das tropas.
Crédito: Divulgação/MilrenKiev também trabalha no desenvolvimento de robôs armados para compensar a falta de soldados em algumas áreas, embora esses projetos ainda tenham alcance restrito. Segundo a ONU e o CICV, a preocupação também envolve profissionais diretamente ligados ao desenvolvimento dessas tecnologias.
Crédito: Divulgação/General Atomics Aeronautical SystemsOs próprios cientistas e engenheiros têm defendido a adoção de controles para evitar usos considerados perigosos. As organizações afirmam que, diante desses alertas, os governos precisam agir e fazer de 2026 um marco nas negociações internacionais sobre armas autônomas.
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