Avanço do mexilhão-dourado surpreende cientistas, causa prejuízos ao setor elétrico e ameaça ecossistemas na Amazônia

O mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei), molusco invasor originário da Ásia, está se espalhando pelos rios brasileiros em ritmo mais acelerado do que as previsões científicas indicavam. Na Amazônia, o molusco foi identificado em municípios banhados pelo rio Tocantins, além do rio Pará e da ilha de Marajó.

Crédito: Wikimedia Commons/Boltovskoy

Em Minas Gerais, pesquisadores da Universidade Estadual de Montes Claros encontraram 113 exemplares nos municípios de São Francisco e São Romão, no rio São Francisco, a cerca de mil quilômetros do registro anterior mais próximo na bacia.

Crédito: Divulgação/Unimontes

A expansão preocupa pelos impactos ambientais e econômicos, já que o animal forma colônias que obstruem tubulações, sistemas de filtragem e equipamentos de usinas hidrelétricas. O setor elétrico brasileiro gasta aproximadamente US$ 9,97 milhões (cerca de R$ 49,6 milhões) por ano com medidas de prevenção e controle.

Crédito: Museu Nacional de História Natural do Uruguai/Wikimedia Commons

Os cientistas suspeitam que pequenas embarcações tenham contribuído para sua chegada a trechos distantes do São Francisco, mas essa hipótese ainda não foi comprovada. Além de prejudicar instalações humanas, o molusco pode alterar ecossistemas aquáticos e ameaçar espécies nativas.

Crédito: Divulgação/Cbei

Como a erradicação completa é considerada improvável com as técnicas disponíveis, os pesquisadores defendem medidas preventivas, como a desinfecção de embarcações e equipamentos usados na pesca, além do controle sanitário de cargas de peixes utilizadas na piscicultura.

Crédito: Pexels/Kindel Media

Introduzida na América do Sul em 1991, mais especificamente no estuário do rio da Prata, na Argentina, a espécie chegou ao Brasil no fim da década de 1990 e se dissemina por meio de larvas transportadas pela água, embarcações e equipamentos.

Crédito: Wikimedia Commons/Olivier Dugornay

Pertencentes à classe dos bivalves, grupo que também inclui ostras, vieiras e amêijoas, os mexilhões possuem uma concha formada por duas partes articuladas, que protegem seu corpo macio contra predadores e condições ambientais adversas.

Crédito: Pexels/Dominiquemel16 Ramos

Sua alimentação ocorre por filtração: os mexilhões retiram da água partículas orgânicas, algas microscópicas e outros microrganismos. Essa característica contribui para a limpeza natural dos ambientes aquáticos, mas também pode favorecer o acúmulo de toxinas e contaminantes quando a água está poluída.

Crédito: Wikimedia Commons/Ericsfr

Na culinária, os mexilhões aparecem em receitas como ensopados, massas, risotos e pratos com frutos do mar, sobretudo em países europeus e regiões costeiras. Eles fornecem proteínas, vitamina B12, ferro, zinco e outros nutrientes importantes para o organismo.

Crédito: Pexels/Luiz Henrique Mendes