Belas e controversas: por que as papoulas estão ligadas ao ópio e a poderosos medicamentos

As papoulas pertencem à família Papaveraceae, que reúne plantas de diferentes gêneros e espécies. Muitas são herbáceas, anuais ou perenes, e chamam atenção pelas flores vistosas e geralmente delicadas. O gênero Papaver é um dos mais conhecidos dessa família.

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O nome papoula é usado para diferentes plantas, por isso nem todas apresentam as mesmas características. Entre as mais conhecidas estão a papoula-vermelha (Papaver rhoeas) e a papoula-do-ópio (Papaver somniferum), espécies com histórias e usos bastante distintos.

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As espécies do gênero Papaver são nativas principalmente de áreas temperadas e subtropicais do Hemisfério Norte, embora também ocorram originalmente no sul da África. Com o cultivo e a dispersão, diferentes papoulas passaram a ser encontradas em várias partes do planeta.

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A Papaver rhoeas é conhecida pelas flores de um vermelho intenso e ocorre naturalmente numa extensa área que abrange a Europa, o Mediterrâneo e chega até o oeste do Himalaia. É uma das espécies que ajudaram a transformar a papoula em símbolo reconhecido mundialmente.

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A papoula-vermelha tornou-se símbolo de homenagem aos mortos em guerras depois de florescer nos campos devastados da Primeira Guerra Mundial. A imagem ganhou ainda mais força com o poema “In Flanders Fields”, escrito pelo médico canadense John McCrae em 1915.

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É a Papaver somniferum, conhecida como papoula-do-ópio, que está diretamente ligada à produção da substância. O ópio é obtido do látex produzido pelas cápsulas da planta e contém diferentes alcaloides naturais, entre eles a morfina e a codeína.

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Substâncias provenientes da Papaver somniferum tiveram enorme importância na história da medicina. A morfina é um potente analgésico, enquanto a codeína também tem aplicações terapêuticas. Até hoje, a espécie é utilizada na produção farmacêutica de medicamentos opioides.

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A heroína também está ligada à Papaver somniferum, mas não é simplesmente extraída da flor. Trata-se de uma substância semissintética produzida a partir da morfina, que, por sua vez, é um dos alcaloides encontrados naturalmente no ópio.

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A Papaver somniferum não está associada apenas aos opiáceos. Suas sementes são utilizadas como ingrediente culinário em diferentes países, aparecendo em pães, bolos e outros produtos. Delas também pode ser extraído um óleo empregado na alimentação e em outros produtos.

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No Brasil, a Papaver somniferum integra a lista de plantas proscritas por sua capacidade de originar substâncias entorpecentes ou psicotrópicas. Por isso, seu cultivo não é permitido, embora existam regras específicas que possibilitam a importação de sementes destinadas à alimentação.

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