Brasileiro ganha destaque na web ao mostrar vida na China em casa de 28 m²

Um brasileiro viralizou recentemente nas redes sociais ao mostrar como é viver em uma favela da China, numa área histórica de Pequim, pagando apenas R$ 30 de aluguel. Maurício da Cruz vive há mais de uma década no país e hoje divide com o público detalhes de uma rotina cheia de contrastes urbanos e culturais. Ele transformou sua trajetória de vida em um fenômeno digital após perder o emprego de tradutor de jogos eletrônicos para o avanço da inteligência artificial. Entenda a seguir como tudo aconteceu — as informações são da BBC.

Crédito: Montagem/Reprodução/Redes Sociais

Sua relação com o país asiático teve início aos 11 anos, quando acompanhou o pai em uma transferência profissional em 2000, experiência que consolidou o desejo de fixar residência definitiva em solo chinês. A oportunidade o marcou profundamente e ele passou a considerar a possibilidade de retornar de forma definitiva no futuro. Depois de dois anos vivendo na China, ele voltou ao sul do Brasil para morar com a mãe, mas manteve o objetivo de reconstruir a vida na Ásia.

Crédito: Reprodução/YouTube China em 360

Esse plano orientou inclusive sua escolha profissional, já que decidiu estudar comércio exterior com foco em oportunidades internacionais. Em 2012, ele retornou à China com a intenção de permanecer no país de forma permanente. Nos primeiros anos, o brasileiro se dedicou intensamente ao aprendizado do mandarim, etapa que considerou essencial para a integração social e profissional.

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Com o domínio do idioma, conseguiu trabalho na tradução de jogos eletrônicos, atividade que garantiu sua permanência por vários anos. O cenário mudou com o avanço da inteligência artificial, que reduziu drasticamente a demanda por profissionais humanos nesse setor.

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A crise no mercado de trabalho o empurrou para uma alternativa de moradia extremamente econômica e curiosa: ele encontrou um imóvel de apenas 28 metros quadrados situado em um antigo pátio conhecido como "siheyuan", onde residiam famílias antes da redistribuição de propriedades pelo Partido Comunista.

Crédito: Reprodução @chinaem360

O imóvel pertence à sua sogra, ex-funcionária de uma estatal que se beneficiou do sistema de "unidades de trabalho" (ou "danwei"), no qual o governo provia habitação subsidiada aos trabalhadores até o fim do século 20. Foi graças a esse vínculo que Maurício e sua esposa chinesa passaram a pagar o equivalente a apenas R$ 30 mensais de aluguel.

Crédito: Arquivo Pessoal

"A empresa meio que era 'dona' desses locais e deu esse direito para ela alugar sempre por um preço abaixo (do preço de mercado). E agora somos eu e minha esposa que moramos aqui", contou ele. Após a reorganização urbana promovida pelo governo, esses espaços foram subdivididos entre diferentes moradores. Ao longo dos anos, novas divisões internas e adaptações informais ampliaram a capacidade habitacional desses pátios.

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Muitas construções passaram a receber pequenos acréscimos estruturais para atender necessidades básicas das famílias. No caso da residência do brasileiro, não havia banheiro privativo até reformas recentes feitas pelo casal. Hoje, apesar dos apenas 28 metros quadrados, o interior da casa possui ar-condicionado e estrutura moderna.

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Do lado de fora, porém, permanecem características antigas que contrastam com a renovação interna. Algumas construções vizinhas ainda apresentam condições bastante simples, com espaços reduzidos e ausência de instalações completas. Em determinados casos, moradores utilizam sanitários públicos próximos ao pátio.

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Mesmo assim, o local mantém forte senso de comunidade entre os residentes. Em entrevista à BBC, Maurício afirmou que a principal diferença em relação à vida que tinha no Brasil é a limitação de espaço e privacidade. "Quando eu saio da minha casa, já dou de cara com a porta da vizinha [...] Mas não é um grande empecilho. Vivo tranquilo aqui", detalhou.

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Segundo ele, encomendas deixadas na porta raramente desaparecem, o que reforça a sensação de confiança entre os moradores. Essa percepção contrasta com marcas visíveis de períodos anteriores menos seguros, como grades instaladas em algumas janelas antigas.

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Atualmente desempregado na área de tradução, o brasileiro passou a investir tempo na produção de conteúdo digital sobre a vida na China. Os vídeos começaram a atrair grande audiência entre brasileiros curiosos sobre o cotidiano no país asiático. Em apenas um mês, seu perfil no Instagram ganhou 300 mil seguidores!

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O crescimento acelerado permitiu a monetização dos conteúdos e abriu novas possibilidades profissionais. Hoje, Maurício reúne mais de um milhão de seguidores nas diferentes plataformas. A nova visibilidade também impulsionou um projeto empresarial voltado ao turismo cultural entre Brasil e China. Durante uma viagem ao Brasil, ele estruturou a criação de uma agência chamada “China Sem Fim”.

Crédito: Reprodução @chinaem360

A proposta é organizar grupos de brasileiros interessados em conhecer o país sob uma perspectiva cotidiana e menos turística. Apesar de ter recebido propostas comerciais mais lucrativas ligadas à publicidade online, ele afirma preferir "construir algo sólido mostrando a China como ela é".

Crédito: Reprodução/YouTube China em 360