No Brasil, alambiques familiares mantêm viva a tradição da cachaça, produzindo milhares de litros por mês com técnicas passadas de geração em geração. Dizem que, quanto menor o alambique, melhor o sabor — com um toque especial que só o artesanal oferece. É um legado que resiste ao tempo e à modernidade.
Depois que a cana-de-açúcar chega ao alambique, o processo de produção da cachaça dura o dia inteiro. Após a fermentação, o fogo precisa ser cuidadosamente controlado — nem forte demais, nem fraco — para garantir a qualidade da bebida. Cada etapa exige atenção e tradição.
Crédito: Pixabay - saxonriderSalesópolis, na Grande São Paulo, vem ganhando destaque na produção artesanal de cachaça. Com pelo menos quatro alambiques ativos, a cidade produz mais de 10 mil litros por mês, segundo dados da prefeitura em agosto de 2025. Mas Minas Gerais ainda é o maior produtor da bebida, uma referência nacional.
Crédito: DivulgaçãoA cachaça é uma bebida tão popular que tem data comemorativa: 21 de maio é o Dia Mundial da Cachaça.
A Lei brasileira (decreto 4.851 de 2003) prevê que o termo ‘cachaça’ é exclusivo do país.
“Cachaça é a denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica de 38% a 48% em volume, a 20°C), obtida pela destilação do mosto fermentado de cana-de-açúcar com características sensoriais peculiares, podendo ser adicionada de açúcares até seis gramas por litro, expressos em sacarose”
Crédito: ReproduçãoO teor alcoólico, portanto, é elevado. E, além de ser consumida pura, a cachaça é ingrediente de uma bebida também popular: a caipirinha (cachaça, açúcar, gelo e limão).
Crédito: Imagem de HANSUAN FABREGAS por PixabayO estado de Minas Gerais, aliás, tem mais de 350 cachaçarias e cerca de 1.800 marcas.
Crédito: DivulgaçãoO município de Salinas, no Sul de Minas, é a cidade que mais se destaca nesse ramo, classificada como Capital Nacional da Cachaça, com selo de Indicação Geográfica, do Instituto Nacional de Propriedade Industrial.
Crédito: Prefeitura de SalinasSegundo a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a cachaça é produzida no estado desde a época colonial. Uma tradição. O segmento é tão importante que a secretaria lançou uma série documental chamada “Preciosas – Cachaças de Minas”, disponível no YouTube.
Crédito: Youtube Canal Agricultura Minas GeraisTambém chamada de pinga, cana ou caninha, a cachaça é uma aguardente de cana-de-açúcar obtida pela fermentação e destilação do caldo da cana.
Crédito: Flickr Juliana SoutoO nome pode ter origem no termo ibérico ‘cachaza’, que é um vinho de borra – uma bebida de qualidade considerada inferior produzida em Portugal e na Espanha.
Crédito: ReproduçãoOutra origem aceita é no termo ‘cachaço’, referente a suínos. No Brasil, a carne dos suínos do mato – muito dura – era amolecida com o uso da bebida, a ‘cachaça’.
Crédito: Flickr Itaci BatistaNa produção colonial de açúcar, “cachaça” era o nome dado à espuma que subia à superfície do caldo de cana que estava sendo fervido. Depois, com a fermentação e destilação, a bebida manteve o nome. Muito consumida por escravos.
Crédito: ReproduçãoA cachaça, portanto, está diretamente ligada à cultura da cana-de-açúcar, uma força econômica no Brasil Colonial. A primeira plantação surgiu em 1504, a cargo de Fernão de Noronha, na ilha que passou a se chamar Fernando de Noronha, em Pernambuco.
Crédito: ReproduçãoEmbora Minas domine o mercado, outros estados também têm relevância no segmento. No Distrito Federal, por exemplo, há pelo menos 5 marcas de qualidade reconhecida. E a Santa Cura foi premiada com medalha de ouro num concurso mundial na Bélgica.
Crédito: Reprodução Cachaças SaracuraNo Ceará, o Museu da Cachaça conta a história da aguardente no Brasil e sua importância para a economia e para a cultura.
Crédito: Fabiobarros - Wikimédia CommonsO museu fica no local onde funcionou a primeira unidade de produção da cachaça Ypioca, o município de Maranguape, a 27 km da capital Fortaleza.
Crédito: Flickr Solon BrochadoUma das táticas mais usadas para aprimorar a qualidade da cachaça é o envelhecimento em tonéis de madeira. Durante esse processo, a bebida adquire aromas, sabores e coloração mais complexos. O contato com a madeira também suaviza o álcool e contribui para um perfil sensorial mais equilibrado.
Crédito: Flickr Diogenes AlmeidaOu seja além de melhorar o aroma e o paladar, o envelhecimento da cachaça pode modificar a coloração, tornando a bebida ‘macia’ e atenuando a sensação secante do álcool.
Crédito: Youtube Canal Fotos Tube