O canário-da-terra-verdadeiro é uma das aves mais emblemáticas da América do Sul, conhecido tanto por seu canto melodioso quanto por seu comportamento territorial agressivo. A combinação, que deveria ser apenas parte de sua ecologia natural, se tornou causa de exploração por criadores ilegais e pelo tráfico de fauna. Rinhas de aves e comércio clandestino converteram a espécie em alvo constante, contribuindo para seu declínio populacional em diversos países. No Brasil, operações de fiscalização resultam em centenas de apreensões todos os anos, revelando a dimensão do problema. Em fevereiro, aliás, 440 indivíduos foram resgatados em ações da Polícia Federal em Roraima. Saiba como a história desses canários envolve tráfico, conservação, repatriação e até riscos de invasão biológica.
O tráfico de canários-da-terra é impulsionado por seu valor em rinhas e pelo apreço popular por seu canto, tornando-os alvo fácil de captura. Essa prática ilegal causa sofrimento aos animais e ameaça o equilíbrio ecológico, já que populações naturais são reduzidas drasticamente. As operações de fiscalização revelam a escala do problema, com centenas de aves apreendidas em diferentes regiões do Brasil todos os anos, evidenciando a persistência da atividade criminosa, que envolve redes organizadas.
Crédito: Charles J. Sharp - wikimedia commonsEm fevereiro de 2026, duas operações da Polícia Federal em Boa Vista, capital do estado de Roraima, resultaram no resgate de 440 canários-da-terra-verdadeiros. Os animais foram encaminhados ao CETAS do Ibama, onde passaram por triagem, cuidados técnicos e monitoramento clínico. Esse trabalho é fundamental para garantir que aves vítimas do tráfico tenham chance de recuperação e destino adequado, reforçando o papel das instituições na conservação da fauna e na cooperação internacional.
Crédito: Evaldo Resende - wikiimedia commonsDurante a triagem, o Ibama identificou que os indivíduos pertenciam à subespécie Sicalis flaveola flaveola, também chamada de canário-coronado. Essa subespécie ocorre naturalmente ao norte do rio Orinoco, na Venezuela, e também em países como Colômbia, Guianas e Trinidad. A constatação reforçou que os animais apreendidos não eram nativos da Amazônia, o que exigiu ações específicas de conservação.
Crédito: Alexandro Dias wikimedia commonsQuando há comprovação de origem estrangeira, o Ibama considera a repatriação como ação mais indicada para preservar os ecossistemas. Assim, após confirmar a procedência venezuelana, o órgão contatou autoridades ambientais do país para viabilizar o retorno das aves. Em abril, os canários foram transportados até Pacaraima, na fronteira, e oficialmente entregues ao seu habitat natural.
Crédito: Marcos Cesar Campis - wikimedia commonsApesar dos cuidados, a presença da subespécie em Boa Vista mostra como a intervenção humana pode introduzir animais exóticos em ambientes inadequados. O canário-coronado é considerado potencialmente invasor na Amazônia, já que pode competir com espécies locais e alterar o equilíbrio ecológico. Isso evidencia como o tráfico de fauna não afeta apenas os indivíduos, mas também os ecossistemas.
Crédito: Dianes Gomes wikimedia commons