O que parecia apenas uma queda de rendimento nas corridas levou Celina Schinen, de 65 anos, a descobrir um câncer raro da medula óssea. Segundo a história contada pelo g1, a falta de ar durante percursos habituais e episódios de sangramento nasal fizeram uma amiga médica recomendar exames.
O hemograma apontou uma anemia severa e, em outubro de 2024, o diagnóstico de mieloma múltiplo foi confirmado por um hematologista. Cinco meses depois, em dezembro, Celina começou a quimioterapia e, em maio de 2025, passou por um transplante de medula óssea.
Crédito: Arquivo PessoalApós a fase de consolidação, ela iniciou um tratamento mensal de manutenção e seguiu sob acompanhamento médico. Cerca de um ano depois, porém, a doença voltou, o que levou Celina a questionar a possibilidade de receber a terapia conhecida como "CAR-T".
Crédito: Arquivo PessoalA técnica utiliza células de defesa do próprio paciente, modificadas em laboratório para reconhecer e atacar estruturas específicas presentes nas células cancerosas. No caso do mieloma múltiplo, o principal alvo é a proteína BCMA, enquanto alguns tipos de leucemia e linfoma utilizam a proteína CD-19 como referência.
Crédito: Magnific/kjpargeterPara produzir a terapia, os linfócitos T são retirados do sangue, enviados a centros especializados nos Estados Unidos ou na Europa e alterados por engenharia genética. Depois de multiplicadas e congeladas, as células retornam ao hospital, onde são aplicadas após uma etapa de quimioterapia.
Crédito: Pexels/Pavel DanilyukO tratamento exige acompanhamento rigoroso, pois pode provocar reações como a síndrome de liberação de citocinas e alterações neurológicas. Por esse motivo, a recomendação inclui internação após a infusão. Embora o mieloma múltiplo ainda seja considerado incurável, remissões prolongadas têm levado especialistas a discutir o conceito de cura funcional.
Crédito: Marcelo Leal/UnsplashA CAR-T funciona como uma alternativa para pacientes que já passaram por diferentes linhas de tratamento, mas o acesso no Brasil enfrenta obstáculos financeiros e regulatórios. No caso de Celina, o plano de saúde recusou o procedimento, e ela precisou recorrer à Justiça para conseguir a autorização.
Crédito: Arquivo PessoalA CAR-T ainda não faz parte do rol obrigatório da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), enquanto também não recebeu recomendação de incorporação ao SUS. A legislação, contudo, permite a cobertura de tratamentos fora da lista em determinadas situações, desde que requisitos como registro na Anvisa, indicação médica e evidências científicas sejam comprovados.
Crédito: Reprodução/TV GloboO tratamento custa cerca de R$ 3 milhões apenas pelo produto e pode alcançar R$ 4 milhões com hospitalização e cuidados adicionais. Além do preço, a fabricação individualizada das células leva semanas e pode sofrer atrasos por intercorrências clínicas. A tecnologia também possui limitações, pois depende de alvos específicos presentes na superfície do tumor.
Crédito: Freepik/rawpixel.comAo mesmo tempo, pesquisas apontam um possível novo campo de aplicação para a CAR-T: doenças autoimunes graves, como lúpus e esclerose sistêmica, nas quais os resultados iniciais indicam que a técnica pode produzir períodos prolongados sem necessidade de medicamentos.
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