Carla Bruni, cantora e ex-primeira dama da França, voltou a falar publicamente sobre a relação que manteve durante anos com o álcool e o tabaco. Aos 58 anos, ela reconheceu que recorria às substâncias para suportar emoções dolorosas, mas afirma que a abstinência se tornou fundamental para sua rotina. Embora tenha conseguido mudar seus hábitos, ela admite que ainda precisa lidar com a dependência. O relato está presente no livro “Merci pour le Non” (“Obrigada pelo não”, em livre tradução), de autoria da atriz francesa Elisa Tovati que compila histórias de personalidades que enfrentaram dificuldades. A obra foi lançada em 21 de outubro de 2026 pela editora Éditions du Rocher.
Na obra, Bruni explicou que procura se manter sóbria inspirando-se em princípios dos Alcoólicos Anônimos, apesar de nunca ter participado diretamente do programa. A artista também ressaltou que não considera o problema definitivamente superado, pois entende que a dependência exige atenção contínua e um esforço pessoal permanente. “Não me libertei completamente dos meus vícios porque essa doença não depende de circunstâncias externas, mas de uma situação interna. É uma questão pessoal”, explicou.
Crédito: Diana Guylene/Wikimedia CommonsNascida em 23 de dezembro de 1967 em Turim, na Itália, Carla Gilberta Bruni Tedeschi cresceu em uma família ligada às artes. Ainda criança, ela se mudou com os pais para a França, onde passou boa parte da juventude. A convivência com a música e a literatura contribuiu para desenvolver seu interesse pela composição.
Crédito: Reprodução /Instagram @carlabruniofficialAntes de conquistar reconhecimento como cantora, Bruni construiu uma carreira internacional na moda. Aos 19 anos, decidiu deixar os estudos de arte e arquitetura para trabalhar como modelo, tornando-se um dos nomes de destaque das passarelas nos anos 1990. Durante esse período, participou de campanhas publicitárias e desfiles de grifes importantes, além de aparecer em revistas de circulação internacional. A experiência lhe proporcionou notoriedade e abriu portas no entretenimento.
Crédito: Peter Potrowl./Wikimedia CommonsA transição para a música começou a ganhar forma no fim da década de 1990, quando Bruni passou a se dedicar à escrita de canções. Ela compôs letras para o cantor francês Julien Clerc, que incluiu algumas delas no álbum “Si j'étais elle”, lançado em 2000. Em 2002, apresentou seu primeiro disco solo, “Quelqu'un m'a dit”, trabalho marcado por arranjos acústicos, influências do folk e interpretações intimistas. O álbum alcançou grande repercussão e consolidou sua identidade artística.
Crédito: Raph_PH/Wikimedia CommonsDepois da estreia bem-sucedida, Bruni ampliou seu repertório com projetos que exploraram diferentes referências musicais e literárias. Em 2007, lançou “No Promises”, álbum em inglês que transformou poemas de autores como Emily Dickinson, W. B. Yeats e W. H. Auden em canções. No ano seguinte, apresentou “Comme si de rien n'était”, trabalho que chegou ao mercado em meio a uma mudança importante em sua vida pessoal. Em 2013, lançou “Little French Songs”, retomando a tradição da canção francesa em composições próprias.
Crédito: Raph_PH/Wikimedia CommonsEm 2007, a artista conheceu Nicolas Sarkozy, então presidente eleito da França, com quem se casou em fevereiro de 2008. A união levou Bruni ao centro da atenção política e midiática internacional, e ela assumiu o papel de primeira-dama durante o mandato do marido, encerrado em 2012. Nesse período, reduziu o ritmo de sua produção musical e também se envolveu em iniciativas humanitárias, incluindo ações relacionadas à educação e à saúde. Mesmo sob intensa exposição pública, manteve atividades ligadas à cultura e à música.
Crédito: White House/ Maison Blanche/Wikimedia CommonsApós deixar o Palácio do Eliseu, Bruni retomou gradualmente os projetos artísticos e voltou a se apresentar em diferentes países. Em 2017, lançou “French Touch”, álbum de versões de canções conhecidas do repertório internacional, e, em 2020, apresentou o disco “Carla Bruni”, com material que inclui composições próprias. Sua trajetória reúne experiências na moda, na música e na vida pública, sem se limitar a uma única dessas identidades. Ao abordar questões pessoais, como a dependência, a artista acrescenta uma nova dimensão à imagem construída ao longo de décadas.
Crédito: Elyot Boudart/Wikimedia Commons