Cidade do Piauí enfrenta um dos processos de desertificação mais graves do Brasil

Localizada no sudoeste do Piauí, a cidade de Gilbués tem cerca de 10 mil habitantes e ocupa uma área de aproximadamente 3.495 km². O município está inserido em uma região de transição entre Cerrado e Caatinga e é reconhecido como um dos principais núcleos de desertificação do Brasil

Crédito: Reprodução de vídeo PITV

O problema ambiental na região não é recente. Estudos indicam que o processo de degradação do solo se intensificou a partir das décadas de 1940 e 1950, resultado da combinação entre fatores naturais — como chuvas intensas e solos frágeis — e ações humanas, incluindo desmatamento, agropecuária e uso inadequado da terra. Esse cenário favoreceu o surgimento de grandes erosões, conhecidas localmente como “grotas”.

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Hoje, a área degradada associada à desertificação chega a cerca de 805 km², atingindo não apenas Gilbués, mas também municípios vizinhos. Apesar da paisagem árida e do aspecto semelhante ao de um deserto, trata-se de um processo de perda de produtividade do solo, e não de um deserto propriamente dito. A situação afeta a economia local, baseada na agricultura e na pecuária, e representa um dos casos mais críticos de degradação ambiental no país.

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Segundo uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o processo de desertificação na cidade iniciou entre as décadas de 1940 e 1950, e foi impulsionado principalmente por práticas como mineração e agropecuária (base econômica da cidade).

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Outro estudo sobre o tema, publicado pelo historiador Dalton Macambira, da Universidade Federal do Piauí, diz que a área afetada pela desertificação mais que dobrou, de 387 para 805 km² de 1976 a 2019, prejudicando cerca de 500 famílias.

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Além da ação do homem, como o crescimento indiscriminado, este processo também tem como “culpados” fatores da natureza como o aquecimento global e a erosão do solo frágil.

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Por conta do aquecimento global, as temperaturas em Gilbués devem aumentar ainda mais. Segundo um estudo do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, a temperatura deve subir até 2,5 graus celsius.

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Gilbués apresenta altas temperaturas ao longo do ano, com períodos em que os termômetros frequentemente superam os 35 °C. Apesar de registros pontuais de calor extremo no passado, o padrão climático atual indica calor intenso e prolongado, típico do semiárido.

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Segundo especialistas, a tendência é de agravamento do cenário, com possibilidade de redução das chuvas entre 10% e 20% no semiárido ao longo das próximas décadas. Esse cenário pode intensificar os processos de desertificação em áreas já vulneráveis, como a região de Gilbués.

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Cidades de clima árido, semiárido e subúmido seco são mais propensas a sofrer com o processo de desertificação. Além do clima local, a ação humana também atrapalha.

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Segundo as Nações Unidas, a desertificação é um problema global que afeta cerca de 500 milhões de pessoas e contribui para o aumento da pobreza e de conflitos em regiões vulneráveis.

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O Instituto Nacional do Semiárido (Insa), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, alerta que mais de 1,3 milhão de km² no Brasil são suscetíveis à desertificação, especialmente no semiárido. Estudos indicam que cerca de 15% do território nacional já apresenta algum nível de degradação do solo associado a esse processo.

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Além do deserto, Gilbués enfrenta outros desafios socioeconômicos, como a falta de infraestrutura, a necessidade de investimentos em educação e saúde, e a migração de sua população para centros urbanos maiores.

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Historicamente, Gilbués já foi cenário de exploração de diamantes ao longo do século XX e passou por diferentes ciclos econômicos, incluindo atividades agrícolas. Nas últimas décadas, a região tem visto a expansão do cultivo de grãos, como a soja, acompanhando o avanço da fronteira agrícola no sul do Piauí.

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