Cinzas do incêndio que atingiu Museu Nacional viram obras de arte em nova exposição

O incêndio que devastou o Museu Nacional em 2018 deixou um rastro de destruição, mas também inspirou uma nova produção artística. O artista plástico Vik Muniz utilizou as cinzas recolhidas após a tragédia para criar a série "Museu de Cinzas", composta por fotografias e esculturas que passaram a integrar uma exposição no próprio museu a partir do dia 21 de junho.

Crédito: Divulgação/PMNV/Felipe Cohen

A iniciativa faz parte das comemorações pelos 208 anos da instituição, e a mostra "Rescaldo das Memórias" ocupa a Sala das Vigas, exatamente o espaço onde o incêndio teve início. A exposição conta com 20 obras, sendo 11 fotografias e nove esculturas, todas inspiradas em peças marcantes do acervo perdido ou danificado.

Crédito: Divulgação/Diogo Vasconcellos

Entre as referências estão objetos da coleção de Egiptologia, artefatos indígenas, exemplares da fauna pré-histórica brasileira e itens ligados à História Natural. Um dos trabalhos reproduz o crânio de Luzia, considerado o fóssil humano mais antigo das Américas, obra que também integra a retrospectiva dedicada ao artista no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

Crédito: Divulgação

As esculturas nasceram de uma parceria com pesquisadores do Laboratório de Processamento de Imagem Digital (LAPID), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), UNESCO e Instituto Cultural Vale. Utilizando arquivos digitais produzidos antes do incêndio, a equipe recriou as peças com impressoras 3D e aplicou sobre elas resíduos das cinzas do museu, estabelecendo uma conexão simbólica entre a destruição e a reconstrução do patrimônio.

Crédito: Divulgação/Felipe Cohen

Parte dos objetos retratados na mostra conseguiu ser recuperada após o incêndio e permanece em processo de restauração. É o caso do crânio de Luzia, encontrado parcialmente entre os escombros, além da múmia de um gato da coleção de Egiptologia, cujos fragmentos ósseos continuam sob análise. Já a estátua egípcia de Menkheperre foi restaurada por completo.

Crédito: Divulgação

A exposição também presta homenagem a peças que desapareceram definitivamente no incêndio. Entre elas estão o dinossauro Staurikosaurus pricei, reconhecido como um dos mais antigos representantes do grupo, e o tigre-dente-de-sabre Smilodon populator, símbolos da riqueza científica que o Museu Nacional preservava antes da tragédia.

Crédito: Divulgação

Fundado em 1818 por Dom João VI, o Museu Nacional é a instituição científica mais antiga do Brasil e abriga importantes coleções de arqueologia, paleontologia, antropologia, zoologia e geologia. Instalado no histórico Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, o local ainda passa por um amplo processo de reconstrução após o incêndio devastador de 2018.

Crédito: Divulgação

Atualmente, parte dos espaços já recebe visitantes em exposições temporárias. A visitação ocorre de terça a domingo, das 10h às 16h, com entrada gratuita, mediante retirada de ingresso pela plataforma do Sympla, conforme a disponibilidade. A exposição “Rescaldo das Memórias” vai até o dia 30 de agosto.

Crédito: Divulgação/Diogo Vasconcellos