Durante o início dos anos 2000, a Escócia carregava uma reputação que muitos hoje devem achar difícil de acreditar. Glasgow, sua maior cidade, registrava a maior taxa de homicídios da Europa e ficou conhecida como a "capital dos assassinatos" do continente.
A violência entre gangues, os ataques com faca e os confrontos ligados ao tráfico faziam parte da rotina, enquanto organismos internacionais classificavam o país entre os mais violentos do mundo desenvolvido. A mudança começou quando as autoridades concluíram que prender criminosos não bastava para interromper esse ciclo.
Crédito: Flickr - Dave ConnerDe acordo com uma reportagem da BBC, em vez de tratar a violência apenas como um problema de segurança pública, o governo escocês passou a enxergá-la também como uma questão de saúde pública. Essa nova estratégia deu origem, em 2005, à Unidade Escocesa de Redução da Violência (SVRU, na sigla em inglês).
Crédito: Lāsma Artmane/UnsplashA entidade reuniu policiais, médicos, professores, assistentes sociais e organizações comunitárias em um esforço conjunto para prevenir crimes antes que eles acontecessem. A equipe analisou dados para identificar os grupos mais vulneráveis e criou programas voltados à educação, ao fortalecimento dos vínculos familiares e ao apoio de jovens expostos à criminalidade.
Crédito: Pexels/Valentine KulikovUma das iniciativas mais marcantes reuniu integrantes de gangues rivais em sessões diante de um juiz nas quais vítimas, familiares e profissionais de saúde relataram as consequências da violência. Ao fim dos encontros, os participantes receberam apoio para abandonar o crime e reconstruir suas vidas.
Crédito: Daniel Bone/PixabayO trabalho escocês foi além da polícia e da justiça. Hospitais também passaram a acolher vítimas de agressões com equipes preparadas para interromper ciclos de violência, enquanto escolas reduziram expulsões e ampliaram ações de inclusão.
Crédito: Ross Sneddon/UnsplashA estratégia adaptou experiências internacionais à realidade escocesa e apostou em intervenções baseadas em evidências, sempre ajustadas às necessidades locais. Os resultados apareceram ao longo da década seguinte: Glasgow reduziu sua taxa de homicídios em mais da metade, os crimes violentos diminuíram em todo o país e os assassinatos atingiram o menor nível em mais de 20 anos.
Crédito: Flickr - Ian DickHoje, cerca de dois terços da violência escocesa envolvem somente 1% dos habitantes, sobretudo jovens do sexo masculino, moradores de regiões mais pobres e sem emprego. Por outro lado, a permanência na escola e o convívio familiar próximo ajudam a reduzir essa probabilidade.
Crédito: Chengyu Wang/UnsplashAtualmente, a Escócia apresenta índices de homicídio inferiores aos registrados em países como Suécia, França e também em Inglaterra e País de Gales. Apesar de existirem novos desafios, a Escócia se tornou referência internacional ao demonstrar que prevenção, cooperação entre setores e políticas baseadas em dados podem transformar regiões violentas em lugares mais seguros.
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