O espetáculo "Remix", da prestigiada coreógrafa brasileira Deborah Colker, estreou no dia 7 de agosto no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, como um reflexo do poder de superação da bailarina diante de graves dramas pessoais vivenciados por ela entre o fim de 2024 e o início de 2025.
A produção foi concebida após o AVC de seu companheiro, o cantor e compositor Toni Platão, e a morte de seu neto Theo, aos 14 anos, vítima de uma doença rara. Em vez de criar uma obra inédita, Deborah decidiu revisitar produções de seus 33 anos de carreira, selecionando momentos de "Vulcão", "4x4" e "Rota", além de "Delírios de Belle".
Crédito: Reprodução @deborahcolkerApós a morte do neto, a bailarina encontrou forças para continuar o trabalho e também retomou a direção da ópera "O Último Sonho de Frida e Diego", em Nova York. “Para sobreviver a dores tão profundas, eu, ainda despedaçada, mudei a maneira de olhar para a vida”, afirmou ela em entrevista ao Estadão.
Crédito: Divulgação/Peu FulgêncioDeborah Colker nasceu no Rio de Janeiro, em 6 de dezembro de 1960, e construiu uma das trajetórias mais marcantes da dança contemporânea brasileira. Sua formação foi bastante diversa: estudou piano durante dez anos, praticou voleibol e chegou a ser convocada para a seleção brasileira, além de cursar Psicologia.
Crédito: Reprodução @deborahcolkerNa década de 1980, entrou no universo da dança ao integrar o grupo Coringa, dirigido pela uruguaia Graciela Figueiroa. Em 1984, iniciou uma longa atuação como diretora de movimento para teatro, televisão e cinema, trabalho que ganhou destaque em dezenas de produções.
Crédito: ReproduçãoDeborah também participou da criação dos movimentos dos bonecos da TV Colosso, sucesso infantil dos anos 1990. Em 1994, fundou a Companhia de Dança Deborah Colker, que logo conquistou espaço no cenário nacional com uma linguagem marcada pela força física, pela criatividade e pela relação entre corpos e espaços.
Crédito: Reprodução @ciadeborahcolkerEspetáculos como "Velox", "Rota", "Casa", "Nó" e "4 x 4" ajudaram a consolidar seu prestígio. Em 2001, recebeu o Laurence Olivier Award pela coreografia de "Mix", um dos principais reconhecimentos das artes cênicas britânicas. Em 2009, a coreógrafa se tornou a primeira mulher a dirigir um espetáculo do Cirque du Soleil, com "Ovo, uma viagem lúdica pelo mundo dos insetos".
Crédito: DivulgaçãoEm 2016, Deborah assumiu a direção de movimento da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Ao longo da carreira, também criou trabalhos para o teatro, cinema, televisão, carnaval e ópera. Em 2024, tornou-se a primeira brasileira a dirigir uma ópera no Metropolitan Opera de Nova York, com "Ainadamar".
Crédito: Divulgação/Marty Sohl/Met Opera