Delineador surgiu há mais de 5 mil anos e se tornou Patrimônio Mundial da Unesco; veja curiosidades

O kohl, tradicional pigmento escuro utilizado ao redor dos olhos, foi elevado ao status de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco no fim de 2025.

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Esse reconhecimento, segundo a jornalista e escritora Zahra Hankir, retira o cosmético do campo da moda passageira e o posiciona como uma “prática cultural viva que resiste ao tempo”.

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Para Hankir, autora de uma vasta pesquisa sobre a história do delineador, o uso do kohl é um ato que conecta mulheres da diáspora árabe às suas raízes, funcionando como um elo espiritual entre gerações de famílias.

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Historicamente, as origens desse pigmento remontam a civilizações antigas do Egito, Mesopotâmia e Pérsia.

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Conhecido como kohl no mundo árabe, recebe outros nomes, como kajal no Sul da Ásia e sormeh no Irã.

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No Egito Antigo, o kohl era onipresente, utilizado por todas as classes e gêneros com propósitos que transcendiam a estética, incluindo proteção medicinal e rituais espirituais.

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A rainha Nefertiti é apontada como uma das primeiras grandes referências do uso do delineador.

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Seu famoso busto, descoberto em 1912, evidencia o uso marcante do pigmento, que influencia padrões de beleza até hoje.

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“Suas sobrancelhas são arqueadas, perfeitas e preenchidas com pigmento preto esfumaçado, possivelmente kohl. O contraste é forte, mas a aparência geral da rainha é harmoniosa”, destaca Hankir em seu livro.

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Tradicionalmente, o kohl é fabricado a partir de minerais como o antimônio (um semimetal tóxico de cor cinza prateada) e o chumbo, apesar das versões modernas incluírem outros ingredientes.

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Em suas viagens, Hankir documentou como o delineador assume papéis distintos pelo mundo a depender da cultura.

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No Japão, por exemplo, as gueixas — artistas tradicionais da cultura japonesa — utilizam o vermelho como símbolo de proteção.

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Na cultura chola mexicano-americana, o traço preto é uma marca de orgulho cultural e afirmação política.

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O uso do kohl também desafia normas de gênero contemporâneas. No Chade, homens da etnia Wodaabe utilizam o produto em concursos de beleza.

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Em regiões de Petra, na Jordânia, homens beduínos adotam o produto por outros motivos além de proteção contra o sol ou expressar religiosidade: “É também um rito de passagem para a idade adulta e um sinal de que se está solteiro”, afirma a autora.

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Para Hankir, o reconhecimento internacional valoriza comunidades do Sul Global que mantiveram viva essa tradição apesar de guerras, deslocamentos e colonialismo.

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No Brasil, o delineador é quase um item indispensável da maquiagem feminina, sendo presença constante em tutoriais, redes sociais e no universo das celebridades e da moda.

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