Dez anos do impeachment: como a Câmara abriu caminho para a saída de Dilma Rousseff

O dia 17 de abril de 2026 marcou os dez anos da sessão em que a Câmara dos Deputados deu aval à abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). Na ocasião, o placar foi de 367 votos favoráveis e 137 contrários, em uma votação longa e marcada por discursos intensos e episódios polêmicos, que iniciaram o processo de afastamento da chefe do Executivo. Ao longo de mais de sete horas, parlamentares se revezaram na tribuna, protagonizando um dos momentos mais emblemáticos da política recente do país e que simbolizou o começo do fim do mandato da primeira mulher a ocupar a Presidência da República.

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A acusação contra Dilma se baseava em supostos crimes de responsabilidade fiscal, como as chamadas “pedaladas fiscais” e a edição de decretos orçamentários sem autorização do Congresso. O processo foi conduzido pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB), e seguiu para o Senado. Em 12 de maio daquele ano, os senadores aprovaram a abertura do processo por 55 votos a 22, determinando o afastamento provisório da presidente. Meses depois, em 31 de agosto, o Senado concluiu o julgamento, aprovando o impeachment por 61 votos a 20. Com isso, Dilma perdeu definitivamente o mandato, e o então vice-presidente Michel Temer (MDB) assumiu a Presidência.

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Nascida em 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte, Dilma Vana Rousseff é filha de um imigrante búlgaro, Pedro Rousseff, e da professora Dilma Jane Silva. Sua juventude foi profundamente impactada pelo golpe de 1964, que instaurou o regime militar no Brasil e levou muitos jovens à militância política.

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Ainda nos anos 1960, Dilma passou a integrar organizações de resistência à ditadura, como o COLINA (Comando de Libertação Nacional) e, posteriormente, a VAR-Palmares. Essas organizações defendiam a luta armada contra o regime autoritário, e sua atuação nesse período a colocou na mira da repressão estatal.

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Em 1970, foi presa por órgãos do regime e submetida a sessões de tortura, permanecendo encarcerada por quase três anos. Décadas depois, o próprio Estado brasileiro reconheceria oficialmente as torturas físicas e psicológicas sofridas por ela nesse período. Em 2025, a 6ª turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) determinou que a União indenize a ex-presidente em R$ 400 mil por danos morais em razão da perseguição a ela na ditadura.

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Após sair da prisão, Dilma reconstruiu sua vida no sul do país, estabelecendo-se em Porto Alegre. Formou-se em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e iniciou uma carreira voltada à gestão pública.

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Durante os anos 1980 e 1990, ocupou cargos relevantes em administrações municipais e estaduais, como secretária da Fazenda de Porto Alegre e secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul. Nesse período, consolidou a imagem de uma gestora técnica, com forte atuação em planejamento e políticas energéticas.

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Sua projeção nacional começou a ganhar força no início dos anos 2000, quando se aproximou do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2003, assumiu o Ministério de Minas e Energia, em um momento estratégico para o país, marcado por debates sobre segurança energética e expansão da infraestrutura.

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Em 2005, Dilma foi nomeada ministra-chefe da Casa Civil, um dos cargos mais influentes do governo federal. À frente da pasta, passou a coordenar planos estratégicos, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que visava impulsionar investimentos em infraestrutura, habitação e energia.

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Em 2010, foi lançada como candidata à Presidência da República e venceu as eleições, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo máximo do Executivo brasileiro. Reeleita em 2014 em uma disputa acirrada, Dilma iniciou seu segundo mandato em meio a um cenário econômico mais adverso e a uma crescente crise política. O período foi marcado por tensões com o Congresso Nacional, queda de popularidade e o avanço da Operação Lava Jato, que atingiu diversas figuras políticas e empresas estatais, embora não tenha resultado em condenação direta contra a presidente.

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As acusações que fundamentaram o processo de impeachment referiam-se a supostos crimes de responsabilidade fiscal, as chamadas “pedaladas fiscais” e a edição de decretos orçamentários sem autorização legislativa. O processo foi aberto na Câmara dos Deputados em abril de 2016 e, após tramitação no Congresso, Dilma foi afastada temporariamente em maio daquele ano. O desfecho ocorreu em 31 de agosto de 2016, quando o Senado aprovou o impeachment por 61 votos a 20, resultando na perda definitiva do mandato.

Crédito: Divulgação Senado

Após deixar a Presidência, Dilma permaneceu ativa na vida pública. Em 2018, concorreu ao Senado por Minas Gerais, mas não obteve êxito. Em 2023, voltou a ocupar um cargo de destaque no cenário internacional ao assumir a presidência do Novo Banco de Desenvolvimento, instituição financeira criada pelos países do bloco BRICS para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. Sua nomeação representou um retorno à atuação em posições estratégicas, agora em âmbito global.

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