A arte rupestre encontrada em cavernas pré-históricas continua intrigando pesquisadores, que buscam compreender as intenções dos artistas e sua relação com o ambiente. No norte da Espanha, por exemplo, El Castillo preserva milhares de pinturas, gravuras e marcas de mãos produzidas há aproximadamente 13 mil a 41 mil anos.
Segundo pesquisadores, para chegar às áreas mais escuras os antigos habitantes dependiam de tochas e precisavam lidar com possíveis encontros com animais perigosos, como os ursos-das-cavernas. Hoje, cerca de 3 mil imagens permanecem identificáveis no local, que recebeu escadas e iluminação elétrica em meados do século 20.
Crédito: El Castillo, Espanha – Reprodução/YouTube BBCApesar das melhorias no acesso, visitantes não podem tocar nas paredes decoradas, pois o contato ameaça a conservação dos registros. Entre os pontos mais importantes está o Painel Policromado, conhecido também como "Painel das Superposições", que reúne figuras de diferentes épocas, marcas de mãos e desenhos feitos com carvão e pigmentos coloridos.
Crédito: Reprodução/YouTube BBCDe acordo com o arqueólogo Diego Garate, da Universidade da Cantábria, entender essas obras exige considerar a interação dos artistas com as superfícies rochosas. Ao longo dos anos, estudiosos associaram as pinturas à fertilidade, à identidade de grupos, a rituais xamânicos e ao desenvolvimento do pensamento simbólico.
Crédito: Governo da Cantábria/Pedro Saura RamosGarate também passou a investigar como a iluminação e as características físicas das cavernas influenciavam a criação. Durante uma visita a uma gruta no País Basco, ele percebeu que a chama de uma tocha, ao oscilar, projetava sombras móveis e alterava a aparência das paredes, ao contrário da luz uniforme de uma lanterna elétrica.
Crédito: Wikimedia Commons/BernietaylorEssa experiência reforçou a hipótese de que a arte rupestre deve ser analisada em seu ambiente original, e não apenas como imagens estáticas. As marcas de mãos oferecem pistas semelhantes: estudos do arqueólogo Paul Pettitt identificaram impressões próximas a fendas e saliências que poderiam servir de apoio aos visitantes.
Crédito: Wikimedia Commons/Noisette13Em El Castillo, Garate e Palacio Pérez também encontraram desenhos de animais que aproveitam os relevos naturais da pedra. Algumas rachaduras parecem completar chifres ou formar o dorso de cavalos, o que sugere uma possível colaboração entre a natureza e a criatividade humana.
Crédito: Wikimedia Commons/Gabinete de Prensa del Gobierno de CantabriaOutro exemplo é o chamado homem-bisão, esculpido em uma estalagmite e marcado pela combinação de características humanas e animais. Alguns estudiosos sugerem que a imagem represente um xamã coberto por uma pele, mas essa interpretação permanece incerta. A possibilidade de os artistas terem explorado esses efeitos ainda precisa de confirmação.
Crédito: ReproduçãoExperimentos de realidade virtual realizados com a caverna de Las Monedas ajudaram a reproduzir condições de iluminação semelhantes às das antigas tochas. Com isso, os arqueólogos procuram entender não apenas o significado das imagens, mas também como luz, relevo e espaço participaram de sua criação.
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