Em risco! Aranhas raras da Amazônia se tornam alvo do tráfico de animais silvestres

A beleza exótica de pequenas aranhas brasileiras que vivem na Mata Atlântica tem colocado espécies na mira do mercado internacional ilegal de animais exóticos e causado preocupação em autoridades.

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Um exemplo são as tarântulas arborícolas do gênero Typhochlaena, que estão entre as aranhas mais raras e pouco conhecidas da biodiversidade brasileira.

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Com cores metálicas marcantes e hábitos discretos no alto das árvores, essas espécies chamaram a atenção do mercado internacional de animais exóticos, tornando-se alvo de colecionadores e traficantes.

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Um estudo publicado na revista científica ZooKeys aponta que o gênero reúne apenas cinco espécies conhecidas, todas endêmicas do Brasil e com distribuição geográfica extremamente limitada, o que aumenta sua vulnerabilidade à captura ilegal.

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Entre elas, destaca-se a Typhochlaena curumim, inicialmente conhecida apenas por poucos exemplares encontrados na Paraíba e posteriormente registrada também no Rio Grande do Norte e no Ceará.

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O comércio dessas aranhas é impulsionado por colecionadores na Europa e América do Norte. Para burlar a fiscalização, os traficantes utilizam o esquema conhecido como "brown-boxing".

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Nesse método, o envio das aranhas é feito em pequenas encomendas postais discretas, sem identificação, o que permite que animais capturados ilegalmente na natureza cheguem rapidamente ao exterior.

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Relatórios da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (RENCTAS) indicam que o tráfico de animais silvestres movimenta bilhões de dólares por ano e está associado a redes criminosas internacionais.

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Além disso, o comércio ilegal de animais silvestres sofre com a fiscalização limitada e falta de dados precisos sobre o volume real de exemplares retirados da natureza, conforme aponta o RENCTAS.

Crédito: iNaturalist/vsmjr

Diante desse cenário, pesquisadores defendem medidas de proteção internacional, como a inclusão dessas espécies em acordos como a CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas) e na lista global da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

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Eles destacam ainda que a falta de informações sobre distribuição e tamanho populacional dificulta avaliar com precisão o risco de extinção desses invertebrados, muitos dos quais podem desaparecer antes mesmo de serem completamente estudados pela ciência.

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Atualmente, a perda de habitat somada à exploração comercial já coloca a Typhochlaena curumim, encontrada apenas em fragmentos isolados do Nordeste, em listas de espécies criticamente ameaçadas.

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