Em show, David Byrne protesta contra política migratória de Trump

Durante um show em Los Angeles, nos Estados Unidos, no dia 28 de agosto de 2026, David Byrne exibiu no telão imagens reais de agentes do ICE, órgão responsável pela imigração no país, perseguindo imigrantes. A apresentação fazia parte da turnê “Who Is the Sky?”, que divulga o álbum homônimo do ex-vocalista do Talking Heads, lançado em setembro de 2025. O espetáculo também contou com registros de manifestações contrárias às ações do ICE, alvo de protestos em diferentes regiões norte-americanas desde o início do segundo mandato de Donald Trump.

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As imagens foram exibidas durante a execução de “Life During Wartime”, clássico do Talking Heads lançado em 1979. A música integrou o repertório da apresentação em meio ao conteúdo político projetado no palco. A atual turnê de Byrne ganhará uma versão para o cinema em formato de filme-concerto. O projeto será dirigido por Brady Corbet, responsável por “O Brutalista”, longa que recebeu três estatuetas no Oscar de 2025.

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Nascido em 14 de maio de 1952, em Dumbarton, na Escócia, David Byrne mudou-se ainda criança com a família para o Canadá e, posteriormente, para os Estados Unidos. Sua trajetória artística ganhou impulso na década de 1970, quando estudava na Rhode Island School of Design e começou a desenvolver projetos musicais. Em Nova York, uniu-se a Chris Frantz e Tina Weymouth, formando o núcleo que daria origem ao Talking Heads. A banda surgiu em 1975 e rapidamente se destacou por combinar música, artes visuais e experimentalismo.

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Com a entrada do guitarrista Jerry Harrison, o Talking Heads consolidou sua formação clássica e lançou, em 1977, seu primeiro álbum. Sob a liderança de Byrne, o grupo construiu uma sonoridade que incorporava punk, new wave, funk e ritmos africanos. Discos como “Fear of Music” e “Remain in Light” ampliaram a influência da banda na música contemporânea. Canções como “Psycho Killer”, “Once in a Lifetime” e “Burning Down the House” se tornaram alguns dos principais símbolos de sua trajetória.

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Paralelamente ao trabalho com o Talking Heads, Byrne iniciou uma carreira marcada por colaborações e experiências em diferentes áreas. Em 1989, durante uma passagem pelo Brasil, descobriu o álbum “Estudando o Samba”, de Tom Zé, músico que naquele período enfrentava uma fase de pouca visibilidade e dificuldades para continuar trabalhando. Encantado com a originalidade do brasileiro, Byrne lançou em 1990, por sua gravadora Luaka Bop, a coletânea “The Best of Tom Zé: Massive Hits”. A iniciativa ajudou a apresentar o músico baiano ao público internacional e foi decisiva para a retomada de sua carreira.

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Após o fim do Talking Heads, no início dos anos 1990, Byrne ampliou ainda mais sua atuação como artista solo. Ele lançou discos influenciados por ritmos latino-americanos e africanos, além de desenvolver trabalhos em cinema, teatro e artes visuais. Também se destacou como compositor de trilhas, incluindo a música de “O Último Imperador”, de Bernardo Bertolucci, trabalho que lhe rendeu o Oscar de melhor trilha sonora. A criação da Luaka Bop reforçou ainda sua atuação na divulgação de artistas de diferentes partes do mundo.

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Nas décadas seguintes, Byrne continuou a explorar novas formas de apresentação e interação com o público. Em 2018, lançou “American Utopia”, álbum que deu origem a uma turnê mundial e, posteriormente, a um espetáculo da Broadway. A montagem foi dirigida por Alex Timbers e transformada em filme por Spike Lee, ampliando o alcance do projeto. A produção também consolidou a reputação de Byrne como um artista interessado em romper as fronteiras tradicionais entre música, teatro e performance.

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Em 2025, Byrne lançou “Who Is the Sky?”, seu nono álbum solo, dando continuidade a uma carreira construída sobre experimentação e diferentes linguagens artísticas. O trabalho contou com participações de nomes como St. Vincent, Hayley Williams e Tom Skinner e serviu de base para uma nova turnê internacional. Ao longo de quase cinco décadas, Byrne acumulou reconhecimento no cinema, na música e no teatro, além de integrar o Rock & Roll Hall of Fame como integrante do Talking Heads. Sua trajetória permanece marcada pela busca por novas formas de criar, colaborar e aproximar diferentes culturas por meio da arte.

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