A promessa de trazer de volta o dodô (Raphus cucullatus), extinto no século 17 após o povoamento europeu nas Ilhas Maurício, ganhou novo fôlego com os progressos divulgados pela empresa norte-americana de biotecnologia Colossal Biosciences. O investimento foi estimado em US$ 150 milhões (cerca de R$ 767,8 milhões).
De acordo com a companhia, sua equipe conseguiu superar um dos principais obstáculos científicos relacionados ao desenvolvimento de embriões de aves geneticamente modificadas. Com esse progresso, a expectativa é produzir o primeiro exemplar com características semelhantes às do dodô dentro de um período estimado entre cinco e sete anos.
Crédito: Wikimedia Commons/LamiotOriginário das Ilhas Maurício, no Oceano Índico, o dodô foi extinto poucas décadas após a chegada dos colonizadores europeus. A caça intensa, a destruição do ambiente natural e a introdução de animais invasores contribuíram para o desaparecimento da espécie, que hoje simboliza os efeitos da ação humana sobre a fauna mundial.
Crédito: Domínio PúblicoComo as técnicas convencionais de clonagem não funcionam em aves, os pesquisadores adotaram uma estratégia diferente. O trabalho utiliza células germinativas primordiais do pombo-de-nicobar, considerado o parente vivo mais próximo do dodô.
Crédito: iNaturalist/ziggypop74Após passarem por modificações genéticas para incorporar características da ave extinta, essas células são transferidas para galinhas alteradas em laboratório, capazes de produzir óvulos e espermatozoides com o novo material genético. Nos últimos anos, a empresa anunciou uma série de avanços.
Crédito: freepik - tawatchai07Entre eles estão o cultivo prolongado dessas células em laboratório e a criação de galinhas que não desenvolvem suas próprias células reprodutivas, o que facilita a implantação das células editadas. Mais recentemente, os pesquisadores apresentaram um sistema de "ovo artificial", desenvolvido para permitir a incubação de embriões fora da casca.
Crédito: Myriams-Fotos/PixabayA tecnologia já resultou no nascimento de dezenas de pintinhos saudáveis e poderá servir tanto ao projeto do dodô quanto ao do moa-gigante, ave extinta da Nova Zelândia. Apesar dos resultados, parte da comunidade científica recomenda prudência.
Crédito: Pexels/KH TanAinda são necessários mais estudos revisados por pares, além disso pesquisadores independentes ressaltam que o animal resultante não seria um dodô verdadeiro, mas sim uma espécie geneticamente modificada. O projeto também levanta debates éticos e ambientais sobre a reintrodução de espécies extintas.
Crédito: Wikimedia Commons/JebulonApesar das críticas, a empresa afirme que suas tecnologias podem ajudar na conservação da biodiversidade e na proteção de espécies ameaçadas. Além do dodô, a Colossal Biosciences também trabalha em iniciativas envolvendo o mamute-lanoso, o tigre-da-Tasmânia, o antílope-azul e o moa-gigante.
Crédito: Cortesia da Colossal Biosciences