Após os terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho, o país segue enfrentando os resultados de uma das maiores tragédias de sua história recente. Até a data de 1º de julho, o desastre já havia provocado quase 3 mil mortes, mais de 11 mil feridos e milhares de desaparecidos.
As estimativas sobre os danos materiais seguem divergentes. O governo contabiliza algumas centenas de edifícios comprometidos, mas análises da NASA apontam que quase 60 mil construções podem ter sido afetadas. A dimensão da destruição levou a uma pergunta pertinente: afinal, por que a Venezuela tem terremotos tão intensos?
Crédito: Reprodução/YouTube AFPOs dois tremores, com magnitudes de 7,2 e 7,5 e apenas 39 segundos de diferença, reacenderam um antigo debate sobre a intensa atividade sísmica no país. A principal explicação está na posição geológica do território, localizado sobre a fronteira entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul.
Crédito: Wikimedia Commons/Antoine.raoultApesar de não fazer parte do Círculo de Fogo do Pacífico, a região norte venezuelana acumula tensões na crosta terrestre devido ao deslocamento constante dessas placas, que avançam lentamente, mas permanecem bloqueadas pelo atrito durante longos períodos.
Crédito: Reprodução/RTVE NoticiasQuando essa resistência chega ao limite, ocorre uma ruptura capaz de liberar enorme quantidade de energia na forma de terremotos. Estudos desenvolvidos desde a década de 1990 já identificavam esse comportamento e apontavam que grande parte do movimento se concentra nas falhas geológicas de Boconó, San Sebastián e El Pilar, responsáveis pelos principais abalos registrados na história do país.
Crédito: Reprodução/RTVE NoticiasPesquisas mais recentes, realizadas com GPS de alta precisão e imagens de radar por satélite, revelaram que cerca de 885 km dessa fronteira tectônica permanecem travados, situação que favorece o acúmulo contínuo de tensão. Segundo Machel Higgins, principal autor do estudo, esse cenário pode produzir terremotos de magnitude próxima a 8 no futuro.
Crédito: Reprodução/YouTube AFPOutros levantamentos também mapearam dezenas de falhas ativas espalhadas pela Venezuela e encontraram evidências de grandes terremotos que ocorreram muito antes dos registros históricos, o que demonstra que esses eventos fazem parte da dinâmica natural da região.
Crédito: Reprodução/YouTube AFPAlém disso, a geologia do norte venezuelano favorece terremotos rasos, que costumam provocar danos mais severos. Como muitas cidades foram construídas próximas dessas falhas tectônicas, a população permanece mais exposta aos efeitos dos grandes abalos, fator que ajuda a explicar por que tremores de grande intensidade costumam causar consequências tão devastadoras no país.
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