Imagine viver em um lugar onde até mesmo a morte está sujeita a regras tão rígidas que, na prática, se torna ilegal. Pode parecer ficção, mas essa é uma realidade curiosa para os moradores de Longyearbyen. Localizada no arquipélago norueguês de Svalbard, o local chama a atenção do mundo inteiro por uma norma incomum que desperta curiosidade sempre que é mencionada. Desde 1950, o governo da Noruega promulgou uma lei que torna ilegal morrer e ser enterrado por lá. Mas vale destacar que essa lei existe por motivos muito mais sérios e científicos.
Antes de tudo, vale entender o contexto do lugar. Longyearbyen é a cidade mais setentrional do planeta, habitada principalmente por mineiros. Além disso, é um dos lugares mais frios do mundo, já tendo registrado incríveis −46,3 °C no dia mais gelado de sua história. Com um clima ártico rigoroso, a cidade ainda convive com cerca de 1.000 ursos polares, que representam uma ameaça constante aos pouco mais de 2.144 habitantes que vivem na região.
Crédito: Wikimedia Commons / Bjorn Christian TorrissenA proibição de ser enterrado lá acontece justamente por conta das condições ambientais adversas do local. O primeiro ponto, segundo aponta o Times of India, é o permafrost, ou seja, o solo permanentemente congelado que caracteriza toda a área. Esse solo congelado impede que se façam buracos profundos para os métodos tradicionais de sepultamento.
Crédito: Wikimedia Commons / Bjorn Christian TorrissenMais do que isso, com a temperatura extremamente baixa da cidade, os cadáveres simplesmente não se decompõem com o passar do tempo, e permanecem praticamente intactos por muito tempo. E isso é extremamente problemático para a saúde pública local, já que tudo o que deveria se decompor e desaparecer com o tempo simplesmente permanece ali.
Crédito: Wikimedia Commons / Bjorn Christian TorrissenDiante disso, em Longyearbyen, já foi relatado que vírus e bactérias permanecem preservados em condições praticamente intactas, mesmo depois de décadas, justamente por causa das temperaturas adversas que impedem sua degradação natural.
Crédito: Wikimedia Commons / Bjorn Christian TorrissenDe acordo com a Men's Health, em 1998, um grupo de cientistas exumou cadáveres de pessoas que morreram da Gripe Espanhola em 1918. Eles conseguiram recuperar amostras vivas do vírus mortal, ainda ativas após 80 anos sob o gelo.
Crédito: Wikimedia Commons / Bjorn Christian TorrissenDessa forma, caso uma pessoa morra de uma doença infecciosa na região, o corpo e os patógenos continuariam preservados, sem se decompor e retornar à natureza como aconteceria normalmente em outros climas.
Crédito: Wikimedia Commons / Bjorn Christian TorrissenDiante desse risco sanitário, em 1950 o governo da Noruega promulgou a lei que tornou ilegal morrer e ser enterrado dentro dos limites da cidade. Com isso, todas as entradas dos cemitérios existentes foram fechadas, e nenhum novo sepultamento é permitido desde então.
Crédito: Wikimedia Commons / BuiobuioneComo não há possibilidade de impedir que alguém morra, quem está na fase final da vida é encaminhado para o continente, a mais de 2.000 quilômetros de distância. Da mesma forma, gestantes também são incentivadas a deixar a cidade e se mudar para o continente cerca de um mês antes da data prevista para o parto.
Crédito: Wikimedia Commons / Chell HillJá para quem falece antes de conseguir ser transportado para o continente, a cremação surge como a alternativa adotada pelas autoridades locais. No entanto, esse processo está longe de ser simples ou imediato. Segundo aponta o Times of India, a cremação só pode ocorrer após um longo trâmite de licenciamento estadual.
Crédito: Wikimedia Commons / MattieKetiApesar de todas essas particularidades, Longyearbyen segue sendo a capital administrativa e econômica do arquipélago de Svalbard, localizada na ilha de Spitsbergen. A cidade fica tão ao norte do planeta que, durante o inverno, o sol não aparece por cerca de três ou quatro meses seguidos, período em que os dias e as noites se tornam de completa escuridão.
Crédito: Wikimedia Commons / R. Henrik NilssonUm cenário que, em contrapartida, proporciona um espetáculo à parte: o avistamento das belíssimas auroras boreais. Por fim, a mineração segue como atividade econômica central da região, sustentando, por meio de uma taxa cobrada sobre o carvão exportado, toda a infraestrutura pública do local.
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