A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a medida provisória que determinou a interrupção das atividades relacionadas às bets e aos cassinos virtuais no Brasil. O pedido foi protocolado em 28 de setembro de 2026 e questiona a validade da decisão do governo federal. As entidades sustentam que não foram apresentados elementos que comprovem a urgência necessária para a edição da MP pelo presidente Lula. Elas também apontam uma mudança de posição do próprio Executivo em relação à regulamentação do setor.
As associações argumentam que a suspensão repentina das atividades das empresas autorizadas compromete a segurança jurídica. No processo, ANJL e IBJR pedem que as regras anteriores permaneçam em vigor até que o Congresso Nacional analise definitivamente a medida ou que o STF julgue as ações relacionadas ao assunto. O pedido está sob relatoria do ministro Luiz Fux (foto).
Crédito: Alejandro Zambrana/STFAs entidades também destacam os investimentos realizados pelas empresas que ingressaram no mercado legalizado. Outro questionamento envolve a ausência de uma estimativa dos impactos orçamentários e financeiros provocados pela MP. A possibilidade de crescimento do mercado clandestino também aparece entre os argumentos apresentados ao Supremo. Em uma iniciativa independente, a Associação Nacional pela Segurança Jurídica dos Jogos e Apostas (Anseja) apresentou uma ação no STF contra a medida. A entidade solicita que a Corte reconheça a inconstitucionalidade da MP e suspenda seus efeitos.
Crédito: Joédson Alves/Agência BrasilA proibição das bets foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro de 2026 e alcança as apostas de quota fixa, além de jogos online e cassinos virtuais, como o "Jogo do Tigrinho". O governo também encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei com previsão de punições para quem explorar, operar ou divulgar essas atividades.
Crédito: Youtube/ Folha de S.PauloAs medidas, tomadas às vésperas do primeiro turno das eleições em que Lula concorre a mais um mandato, foram apresentadas como parte de uma estratégia para enfrentar o endividamento das famílias e os problemas relacionados ao vício em apostas. O Executivo passou ainda a estabelecer regras para o encerramento das operações das plataformas.
Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilOs apostadores que possuem dinheiro nas casas autorizadas terão prazo até 5 de outubro para solicitar a retirada dos valores. Conforme informado pelo governo, quantias não resgatadas nesse período deverão ser devolvidas posteriormente pelos bancos ligados às plataformas, entre 9 e 14 de outubro. A partir da 0h de 6 de outubro, lojas de aplicativos e provedores de internet deverão bloquear o acesso aos sites e aplicativos atingidos pela medida. Quem tentar acessar as plataformas será direcionado a uma página com informações sobre o procedimento de resgate.
Crédito: Reprodução/TV BandA decisão também produz efeitos sobre a publicidade e o mercado esportivo, especialmente o futebol. As empresas terão até as 23h59 de 5 de outubro para retirar campanhas, anúncios e ações de marketing, inclusive marcas relacionadas a contratos de patrocínio. Em 2025, as bets repassaram R$ 1,1 bilhão aos principais clubes brasileiros.
Crédito: DivulgaçãoO setor havia sido legalizado em 2018, no governo de Michel Temer, mas a regulamentação efetiva só começou a ser estruturada em 2023, durante o terceiro mandato de Lula, após passar pelo mandato de Jair Bolsonaro. A regulamentação estabelecida a partir de 2023 definiu normas de funcionamento, tributação e destinação dos recursos obtidos pelo governo com as apostas. Desde o início de 2025, a União arrecadou R$ 15,3 bilhões com a tributação das empresas do setor, sendo R$ 8,94 bilhões no ano passado e R$ 6,32 bilhões entre janeiro e agosto de 2026. Os números são da Receita Federal.
Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil