Escavação nos arredores do Coliseu pode ter revelado edifício que abrigou primeiro corpo de bombeiros da Roma Antiga

Uma escavação realizada na Colina Célio, em Roma, trouxe à tona um edifício que pode estar ligado a uma das primeiras organizações profissionais de combate a incêndios da história. Localizado perto do Coliseu, o complexo possui oito cômodos e, à primeira vista, parecia uma residência pertencente a uma família rica.

Crédito: Fabio Caricchia/Ministério da Cultura da Itália

O espaço, divulgado pelo Ministério da Cultura da Itália, conta com elementos decorativos sofisticados. Entre os achados está um mosaico com cenas marinhas, que reúne figuras de animais como lagosta, golfinho, peixes e caranguejo. As paredes também conservam afrescos elaborados, sinais de que o espaço recebeu atenção especial em sua construção e nas reformas posteriores.

Crédito: Fabio Caricchia/Ministério da Cultura da Itália

O edifício provavelmente surgiu no século 2 d.C. e passou por modificações no século seguinte. O mosaico, entretanto, chamou a atenção dos arqueólogos por outro motivo: seu desenho apresenta grande semelhança com uma peça encontrada no antigo quartel dos vigiles da cidade portuária de Óstia, que fica a cerca de 30 quilômetros de Roma.

Crédito: Fabio Caricchia/Ministério da Cultura da Itália

Essa associação levantou a possibilidade de que o imóvel tenha servido aos bombeiros responsáveis pela segurança de Roma. A hipótese ainda depende de novas evidências, mas pode ampliar o conhecimento sobre a organização desses profissionais na Antiguidade.

Crédito: Fabio Caricchia/Ministério da Cultura da Itália

A criação de uma estrutura específica para combater incêndios ganhou força durante o governo do imperador Augusto. Antes disso, em 21 a.C., havia uma primeira brigada com cerca de 600 pessoas escravizadas. Após um grande incêndio em 6 d.C., Augusto reformulou o sistema e estabeleceu sete grupos, cada um com aproximadamente mil integrantes.

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Os vigiles atuavam contra incêndios, faziam rondas durante a noite e também auxiliavam na manutenção da ordem nas ruas. Seus postos eram distribuídos por diferentes regiões para facilitar uma reação rápida diante das emergências.

Crédito: Pexels/Efrem Efre

Para enfrentar as chamas, eles utilizavam baldes, escadas, cordas, ganchos, picaretas e bombas que retiravam água de fontes públicas. Com o passar dos anos, a atividade ganhou maior prestígio, além de remuneração e possíveis benefícios após o período de serviço. A expansão do modelo levou outras cidades do Império Romano, como Óstia e Puteoli, a criar estruturas semelhantes.

Crédito: Fabio Caricchia/Ministério da Cultura da Itália

Agora, os pesquisadores pretendem examinar o edifício da Colina Célio em busca de novas pistas sobre sua finalidade. A análise dos materiais, da arquitetura e do contexto arqueológico será decisiva para confirmar ou descartar a ligação com os antigos bombeiros romanos.

Crédito: Fabio Caricchia/Ministério da Cultura da Itália