Estudo aponta que Urochloa brizantha melhora a saúde do solo e reduz fungos nocivos

Um grupo de pesquisadores descobriu que plantar Urochloa brizantha, uma gramínea forrageira conhecida popularmente como braquiária, durante o período de pousio, intervalo em que uma área de cultivo fica sem receber plantio para que o solo se recupere, ajuda a deixar o solo mais saudável.

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A descoberta vem de um estudo conduzido na Estação Experimental Agropecuária Salta, do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária, em local na Argentina que foi usado por mais de cinquenta anos intensivamente para plantio de tabaco e feijão, sem descanso adequado, o que resultou em um solo desgastado e pobre em vida biológica.

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Para entender esse estudo, é preciso saber que não há somente terra no solo. Na verdade, ele abriga milhões de fungos e microrganismos que vivem perto das raízes das plantas, numa região chamada rizosfera. Alguns desses fungos ajudam as plantas a crescer e trazem benefícios tanto para o solo quanto para o plantio. Outros, porém, causam doenças e prejudicam o estado do solo.

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Os pesquisadores compararam cinco situações diferentes. Em uma delas, o solo ficou descoberto, sem nenhuma planta, antes de receber o feijão. Em outras, o capim Urochloa brizantha foi plantado por um ou dois ciclos antes do feijão, ou mantido como pastagem permanente. Uma última área, nunca usada para plantio, serviu como ponto de comparação ideal.

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O resultado mostrou uma diferença importante. No solo que ficou descoberto, predominaram fungos ligados a doenças de plantas, como os gêneros Fusarium e Bipolaris. Já nas áreas onde o capim havia sido plantado, predominaram fungos saprófitos, responsáveis por decompor matéria orgânica e reciclar nutrientes, tornando o solo mais fértil e equilibrado.

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O solo também apresentou melhoras em outros aspectos. As áreas com capim tiveram mais carbono orgânico, um indicador de solo saudável, e ficaram menos compactadas. Isso significa que a terra ficou mais solta e arejada, o que facilita o crescimento das raízes das plantas que ali serão plantadas.

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Os cientistas também mediram a atividade dos microrganismos do solo, como a respiração e a produção de enzimas. Todos esses indicadores foram melhores nas áreas que receberam o capim, especialmente na pastagem permanente. Isso mostra que o solo estava mais vivo e mais ativo biologicamente nesses locais.

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Uma informação interessante é que, mesmo plantando o capim por apenas um ciclo antes do feijão, já foi possível notar mudanças positivas no solo. Ou seja, não é preciso esperar anos de pastagem para começar a colher benefícios: um único período de cultivo do capim já é suficiente para iniciar o processo de recuperação do solo.

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