Estudo confirma teoria de Darwin feita há mais de um século e identifica nova planta carnívora

Uma pesquisa internacional confirmou que a espécie Saxifraga candelabrum, encontrada em regiões montanhosas do Himalaia e do Tibete, agora pertence ao grupo das plantas carnívoras. A descoberta encerra uma dúvida que atravessou mais de 150 anos e dá razão a uma hipótese apresentada por Charles Darwin no século 19.

Crédito: Divulgação/Saxifraga candelabrum

Em sua obra sobre plantas insetívoras, publicada em 1875, o naturalista observou que exemplares do gênero Saxifraga contavam com estruturas pegajosas capazes de reter insetos, mas não conseguiu demonstrar que elas também realizavam digestão e absorção de nutrientes.

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Agora, com o auxílio de técnicas modernas, cientistas da China e dos Estados Unidos revisitaram a questão e reuniram evidências que confirmam todas as características exigidas para classificar uma planta como carnívora.

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Os pesquisadores verificaram que a espécie atrai pequenos insetos por meio da liberação de compostos químicos, captura as presas com pelos glandulares aderentes, produz enzimas digestivas e incorpora os nutrientes obtidos durante esse processo.

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A análise de dezenas de amostras coletadas ao longo de mais de um século revelou que quase todas continham insetos presos às folhas, com média superior a 70 indivíduos por planta adulta. Os experimentos também mostraram que a espécie não captura seus polinizadores com frequência, concentrando-se principalmente em pequenas moscas que pouco contribuem para sua reprodução.

Crédito: Wikimedia Commons/Krzysztof Ziarnek, Kenraiz

Para comprovar a absorção de nutrientes, os cientistas utilizaram insetos alimentados com nitrogênio marcado. Posteriormente, o elemento foi identificado nos tecidos da planta, sobretudo nas flores, demonstrando que os nutrientes das presas realmente passam a integrar seu organismo.

Crédito: Wikimedia Commons/Krzysztof Ziarnek, Kenraiz

Além dos testes fisiológicos, a equipe sequenciou o genoma da Saxifraga candelabrum e encontrou genes semelhantes aos presentes em outras plantas carnívoras, apesar da distância evolutiva entre elas. Segundo os pesquisadores, esse resultado representa um exemplo de evolução convergente, processo em que espécies sem parentesco próximo desenvolvem soluções parecidas para enfrentar desafios semelhantes.

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No caso da Saxifraga, a adaptação permitiu sobreviver em ambientes rochosos e pobres em nutrientes, onde obter alimento diretamente dos insetos representa uma vantagem importante. A descoberta também reforça a importância das observações feitas por Darwin, que, mesmo sem a tecnologia disponível atualmente, conseguiu identificar indícios de um comportamento confirmado apenas mais de um século depois.

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