A atriz Fernanda Montenegro, de 96 anos, fez um alerta ao público após identificar um golpe que utiliza indevidamente sua imagem e sua voz para divulgar, na internet, um suposto medicamento voltado ao público idoso. Em mensagem nas suas redes sociais, a artista declarou que nunca autorizou a utilização de seu nome em qualquer campanha publicitária relacionada ao produto. "Quero denunciar aqui o uso do meu nome, da minha pessoa, na propaganda de um remédio para idosos. Remédio esse que cura até Alzheimer. Sou usada como locutora e usuária", afirmou a atriz.
Fernanda Montenegro explicou que tomou conhecimento da propaganda fraudulenta enquanto utilizava o celular. Ao comentar o episódio, classificou a prática como criminosa e criticou o uso indevido de sua identidade. "O uso invasor dessa dimensão na vida de um ser humano é um crime!", declarou. A denúncia também foi compartilhada por Fernanda Torres, filha da atriz. Na publicação, diversos seguidores afirmaram ter visto anúncios semelhantes envolvendo outras figuras públicas, entre elas o médico Drauzio Varella, cujas imagens também estariam sendo usadas de forma indevida em peças publicitárias falsas.
Crédito: Reprodução/InstagramFernanda Montenegro é um dos maiores nomes da história das artes cênicas do Brasil. Nascida em 16 de outubro de 1929, no Rio de Janeiro, ela foi batizada como Arlette Pinheiro Monteiro Torres e iniciou a carreira ainda na juventude, atuando em radionovelas antes de migrar para o teatro. A partir da década de 1950, consolidou-se como uma das principais intérpretes do país, participando de montagens que marcaram época e ajudaram a fortalecer a dramaturgia nacional.
Crédito: Divulgação/Vania ToledoNo teatro, construiu uma trajetória reconhecida pela versatilidade e pelo rigor artístico. Atuou em obras de autores brasileiros e estrangeiros, interpretando personagens de Nelson Rodrigues, Anton Tchekhov, Bertolt Brecht, Samuel Beckett, Simone de Beauvoir, entre outros. Ao lado do ator e diretor Fernando Torres, com quem foi casada por mais de 50 anos, participou da fundação de importantes companhias teatrais, como o Teatro dos Sete, e contribuiu para a formação de novas gerações de artistas.
Crédito: Arquivo NacionalEm 1951, ano em que adotou o nome artístico pelo qual tornou-se conhecida, Fernanda Montenegro foi a primeira atriz contratada da recém-criada TV Tupi. Já em 1954, transferiu-se para a Record e participou da primeira novela da história da emissora. Em 1956, voltou para a TV Tupi, onde fez mais novelas e teleteatros. Nos anos seguintes, a atriz também passou por Excelsior, TV Rio e Bandeirantes. Em 1981, Fernanda Montenegro foi contratada pela TV Globo.
Crédito: Arquivo NacionalLogo em seu primeiro ano na Globo, Montenegro atuou em "Baila Comigo", de Manoel Carlos. Ela já gozava de tanto prestígio que o papel de Sílvia Toledo foi feito "sob encomenda". Ainda na década de 1980, ela atuou em produções como "Brilhante" e "Cambalacho". Já em 1990, teve participação especial em "Rainha da Sucata", outro clássico da teledramaturgia, e no ano seguinte interpretou a cafetina Olga Portela na novela "O Dono do Mundo".
Crédito: ReproduçãoEm 1998, Fernanda Montenegro protagonizou o filme "Central do Brasil", de Walter Salles. O longa concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e a atuação rendeu a Fernanda indicações a vários prêmios, inclusive ao Oscar de Melhor Atriz. Assim, ela se tornou a primeira latino-americana e a única brasileira até então nomeada para essa categoria da festa de gala do cinema mundial. Em 2025, sua filha, Fernanda Torres, igualou o feito ao ser indicada pela performance em “Ainda Estou Aqui”, também de Walter Salles.
Crédito: DivulgaçãoEla também atuou como Nossa Senhora no filme "O Auto da Compadecida" (2000), de Guel Arraes. Recentemente, esteve em mais dois longas, “Vitória” (2025), de Andrucha Waddington e Breno Silveira, e “Velhos Bandidos” (2026), com direção de seu filho Cláudio Torres, Em 2024, Fernanda Montenegro entrou no Livro dos Recordes, ao registrar o maior público de uma leitura filosófica com o monólogo “A Cerimônia do Adeus”, da francesa Simone de Beauvoir - 15 mil pessoas no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.
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