Um suposto padre de 38 anos virou personagem de uma campanha de doações nas redes sociais, mas a história por trás do pedido de ajuda era totalmente falsa. O homem, apresentado como “Padre Mateus”, aparecia em vídeos nos quais afirmava ter perdido as duas pernas e precisar de dinheiro para comprar próteses.
A narrativa ainda dizia que o prazo para arrecadar os recursos era de quatro meses, antes que a falta de movimento "provocasse a atrofia dos músculos das coxas". Para tornar o relato mais convincente, a campanha também criou outros personagens, todos feitos com inteligência artificial.
Crédito: Reprodução/Redes SociaisDentre essas "pessoas" estava a dona Lourdes, de 72 anos, que supostamente auxiliaria o sacerdote, e Enzo, um falso coroinha de 14 anos. A fraude chamou a atenção de Reginaldo Jesus Flor, um morador de Valinhos, no interior de São Paulo.
Crédito: Reprodução/Redes SociaisLigado a uma ONG que mantém um abrigo para idosos, ele ficou desconfiado das imagens e do pedido de dinheiro e mostrou o conteúdo ao filho, que contou com a análise do jornalista e teólogo Felipe Zangari. Ao examinar o vídeo, Zangari identificou "uma falta de sincronia na expressão labial" dos personagens.
Crédito: Reprodução/Redes SociaisSegundo informações do UOL, a investigação também encontrou irregularidades no sistema usado para receber as doações. O vídeo era divulgado pela página “Caminhada Curta”, criada no Facebook em 19 de agosto, e levava os interessados ao site “Ande com Padre Mateus”.
Crédito: Reprodução/Redes SociaisAcontece que o domínio foi registrado de maneira oculta na mesma data da criação da página, enquanto os pagamentos indicavam como beneficiária a empresa Gestão Solidar Digital LTDA, que fica em Florianópolis. Outros dados também apresentaram divergências, como o e-mail da empresa, associado à marca Lemes Magazine, e informações vinculadas ao nome de “Helena Farias”.
Crédito: Reprodução/Redes SociaisSegundo a apuração, o CPF usado nessa identificação pertence a uma idosa de Goiás, sem indicação de que ela soubesse da utilização de seus dados. Além disso, as transações eram processadas pela fintech Cartwave, cujo telefone cadastrado correspondia a uma barbearia de Goiânia.
Crédito: Reprodução/Redes SociaisO conteúdo com o "padre de IA" chegou a ter milhares de visualizações e mais de mil compartilhamentos, além de comentários de diversas pessoas dispostas a doar. Zangari levou o caso ao podcast "Sagrada Polêmica", do qual faz parte com outros jornalistas. "Os meus amigos ficaram sabendo, então, da história no podcast e passaram avisar todo mundo", contou em entrevista ao g1.
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