Homenagem a Cazuza reacende memória do músico morto há 35 anos

Cazuza foi o grande homenageado na 33ª edição do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira. A cerimônia aconteceu no dia 10 de junho, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e reuniu artistas de diferentes gerações para celebrar a indústria e a obra de um dos nomes mais importantes da música brasileira. Apresentada pelas atrizes Débora Bloch e Alice Wegmann, a premiação reconheceu cantores, compositores, produtores e músicos que mais se destacaram em 2025, em 18 categorias. A escolha do homenageado deste ano foi unânime entre os membros do conselho responsável pelo prêmio.

Crédito: Reprodução Youtube

O jornalista Pedro Bial abriu a noite com palavras sobre o homenageado, ao afirmar que "a arte sobrevive aos artistas e é a melhor maneira de nos consolarmos depois que eles se vão". Além disso, a homenagem também contou com depoimentos de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, e de outras figuras da vida do cantor. No total, o público pôde acompanhar nove apresentações de clássicos de Cazuza, com interpretações de Seu Jorge, Ney Matogrosso, Chico Chico, Ludmilla, Lazzo Matumbi, BNegão, Luedji Luna, Maneva, Marina Sena, Zizi Possi, Luísa Sonza e Simone. Ney Matogrosso, histórico parceiro de Cazuza, encerrou a noite com "Pro Dia Nascer Feliz".

Crédito: Reprodução Youtube

Segundo os organizadores, a escolha de Cazuza como homenageado buscou destacar a atualidade de sua obra, que continua a influenciar artistas e a dialogar com diferentes gerações. O cantor, que morreu em 1990, permanece como uma das vozes mais marcantes da cultura brasileira, por meio de suas letras sobre amor, liberdade e política.

Crédito: Reprodução Youtube

Conheça mais sobre a trajetória de Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza. Nascido no dia 4 de abril de 1958, no Rio de Janeiro, ele foi um cantor, compositor e poeta conhecido por sucessos como "Exagerado", "O Tempo Não Para" e "Codinome Beija-Flor". Com voz intensa e letras profundas, passou pelo Barão Vermelho e depois seguiu carreira solo. Assim, marcou a década de 1980 e deixou um legado eterno na música brasileira.

Crédito: Divulgação

Filho do influente produtor musical João Araújo, fundador da Som Livre, e de Lucinha Araújo, Cazuza cresceu em um ambiente cercado de música. Desde cedo, teve contato com grandes nomes da MPB, como Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa e João Gilberto. Ainda jovem, escreveu seus primeiros poemas. Foi aprovado no curso de Comunicação, mas abandonou a faculdade três semanas depois. Para que o filho tivesse uma ocupação, o pai criou um emprego para ele na gravadora Som Livre, onde Cazuza fez a triagem de fitas demo de novos artistas.

Crédito: Divulgação

No final de 1979, foi para os Estados Unidos, onde fez um curso de fotografia na Universidade de Berkeley, em São Francisco. Em 1980, voltou ao Rio de Janeiro e ingressou no grupo teatral "Asdrúbal Trouxe o Trombone", no Circo Voador. Foi nesse grupo que o cantor Léo Jaime o notou e o apresentou a uma banda de rock de garagem que precisava de um vocalista: o Barão Vermelho.

Crédito: Reprodução Youtube

O primeiro álbum da banda, "Barão Vermelho" foi lançado em 1982. No ano seguinte, o grupo lançou "Barão Vermelho 2", que trouxe a música "Pro Dia Nascer Feliz". Foi com essa música, que em 1985, o Barão Vermelho fez uma apresentação histórica na primeira edição do Rock in Rio e Cazuza celebrou o fim da ditadura militar com ela.

Crédito: Divulgação

Ainda em 1985, Cazuza deixou o Barão Vermelho para ter mais liberdade de composição e expressão, e decidiu seguir carreira solo. Em novembro daquele ano, lançou seu primeiro álbum solo intitulado "Exagerado". A faixa-título, composta em parceria com Leoni, se tornou um dos maiores sucessos e marca registrada de sua carreira. O álbum também trouxe o hit "Codinome Beija-Flor".

Crédito: Divulgação

Em 1987, lançou "Só Se For a Dois", com canções mais românticas, que teve como destaque "O Nosso Amor A Gente Inventa". Em 1988, chegou "Ideologia", com sucessos como "Faz Parte do Meu Show" e "Brasil", que virou tema de novela na voz de Gal Costa.

Crédito: Domínio Público

A turnê de "Ideologia", dirigida por Ney Matogrosso, virou programa especial da Globo e disco ao vivo. Lançado no início de 1989, "Cazuza ao Vivo – O Tempo Não Para" chegou a 560 mil cópias vendidas e reuniu os maiores sucessos do artista, além de duas músicas novas: "Vida Louca Vida" e "O Tempo Não Para".

Crédito: Reprodução Youtube

Em 1989, Cazuza admitiu publicamente que era portador do vírus HIV, e lançou seu último disco em vida, "Burguesia", um álbum duplo gravado com o cantor já bastante debilitado, sentado em uma cadeira de rodas. Sua iniciativa de revelar ser uma pessoa com AIDS ajudou a mudar a percepção pública sobre a prevenção e o tratamento da doença no Brasil.

Crédito: Reprodução Youtube

Cazuza faleceu no dia 7 de julho de 1990, aos 32 anos. Após sua morte, sua mãe, Lucinha Araújo, fundou a Sociedade Viva Cazuza, uma ONG dedicada a apoiar crianças e adolescentes soropositivos. Em 2008, a revista Rolling Stone o incluiu na lista dos 100 Maiores Artistas da Música Brasileira, na 34ª posição. Sua trajetória também virou filme biográfico e série documental no Globoplay.

Crédito: Divulgação