Ilha mais lotada do planeta não tem esgoto nem energia elétrica

Um ilha que fica situada entre Quênia e Uganda é conhecida por sua densidade populacional extrema em um território minúsculo.

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Trata-se da Ilha Migingo, situada no lado oeste do maior lago tropical do mundo, o Lago Vitória.

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No total, o território tem menos de 2 mil metros quadrados, menor do que a metade de um campo de futebol.

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Migingo não é uma cidade planejada, nem uma favela convencional, mas o resultado direto da adaptação humana impulsionado por interesses econômicos.

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A ilha se formou a partir de uma massa rochosa (afloramento) sem vegetação, solo fértil ou fontes de água doce. Tudo que tem lá foi levado pelo ser humano.

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As construções são comprimidas, muitas delas sobrepostas, formando corredores estreitos em vez de ruas.

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A população, que no início dos anos 2000 era pouco superior a 100 habitantes, passou a oscilar entre 400 e 500 pessoas durante os períodos de pesca.

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O resultado foi uma densidade populacional superior a de algumas das maiores megacidades do planeta como Daca ou Hong Kong.

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Em momentos de pico, chega a ter mais de 65 mil habitantes por km², o que equivale, na prática, a um morador para cada 2 m².

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O principal fator que atrai os moradores da ilha é a pesca da perca-do-Nilo, peixe de alto valor comercial introduzido no lago no século 20.

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Sua carne é amplamente apreciada e exportada, além de sustentar uma cadeia econômica que envolve comércio internacional.

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Migingo funciona como uma base avançada dessa atividade, concentrando desembarque de pescado, depósitos de gelo, bares, restaurantes, hospedarias e serviços informais.

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A valorização econômica da região intensificou a disputa entre Quênia e Uganda pelo controle das águas ao redor da ilha.

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Essa tensão já envolveu presença policial, cobrança de taxas por parte de Uganda e negociações diplomáticas envolvendo os dois países.

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Apesar da prosperidade econômica, a ilha carece de qualquer infraestrutura básica, como saneamento, água potável, sistema de saúde e fornecimento regular de energia.

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A eletricidade vem de geradores a diesel e a água precisa ser transportada do continente.

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Pesquisadores de diversas áreas observam Migingo como um exemplo extremo de como o incentivo financeiro pode levar à colonização de ambientes hostis e geograficamente limitados.

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Hoje o futuro da ilha é considerado incerto, dependendo diretamente dos estoques pesqueiros do Lago Vitória e da estabilidade das relações entre as nações vizinhas.

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