Invasora e ‘predadora voraz’: conheça a rã-touro, anfíbio gigante que preocupa autoridades ambientais brasileiras

A presença de uma espécie exótica de rã tem despertado preocupação em Florianópolis devido ao seu potencial impacto sobre os ecossistemas locais. Trata-se da rã-touro (Aquarana catesbeiana), originária da América do Norte e que chegou ao Brasil na década de 1930 para abastecer criadouros destinados à produção de carne. Apesar do propósito inicial, ela acabou se espalhando para ambientes naturais em diferentes regiões do país. O anfíbio recebeu esse nome por causa do som grave que produz, semelhante ao mugido de um boi.

Crédito: Wikimedia Commons/Cephas

Em Florianópolis, o primeiro registro oficial ocorreu em outubro de 2025, no bairro Ratones, onde equipes de monitoramento passaram a acompanhar a situação. Considerada uma espécie invasora de alto risco, a rã-touro possui grande capacidade de adaptação, reprodução e sobrevivência. Sua alimentação inclui uma ampla variedade de animais, como peixes, anfíbios, répteis e pequenos mamíferos, característica que aumenta a pressão sobre espécies nativas.

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Além disso, seu porte avantajado favorece a competição por recursos e a ocupação de habitats já utilizados pela fauna local. Outro fator de preocupação está relacionado à transmissão de doenças capazes de afetar anfíbios, peixes e répteis, o que pode comprometer o equilíbrio ecológico das áreas invadidas. Em Santa Catarina, a espécie integra a categoria mais alta da lista oficial de fauna exótica invasora.

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Desde a confirmação de sua presença em Ratones, pesquisadores e órgãos ambientais realizaram ações de campo que resultaram na captura de 11 exemplares entre novembro de 2025 e março de 2026. Os indivíduos recolhidos foram encaminhados para análises laboratoriais, incluindo exames para identificar agentes patogênicos associados a enfermidades que ameaçam a vida silvestre.

Crédito: Wikimedia Commons/Cephas

“O trabalho que estamos conduzindo em Ratones segue uma estratégia de detecção precoce e resposta rápida. Quando uma espécie exótica é identificada logo no início, é possível compreender melhor a situação, mapear sua ocorrência e tomar decisões fundamentadas, em parceria com as demais instituições e com a comunidade”, explicou Fábio Henrique Machado, presidente da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram).

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A rã-touro, também conhecida internacionalmente como bullfrog-americana, é considerada uma das maiores espécies de rãs do mundo, podendo atingir mais de 20 centímetros de comprimento e pesar acima de 500 gramas em alguns casos. A espécie possui coloração que varia entre tons de verde, marrom e oliva, geralmente com manchas escuras espalhadas pelo corpo.

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Seus olhos grandes e as pernas traseiras musculosas favorecem saltos longos e deslocamentos eficientes tanto em terra quanto na água. A rã-touro habita lagos, lagoas, açudes, brejos e rios de correnteza lenta, sempre em locais com abundância de água doce.

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Uma diferenciação importante é que os machos adultos possuem o tímpano — estrutura circular bem visível logo atrás dos olhos — significativamente maior do que o diâmetro do próprio olho, enquanto nas fêmeas essas duas estruturas mantêm dimensões equivalentes.

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Sua alimentação é extremamente diversificada e oportunista. Ela pode consumir insetos, aranhas, peixes, crustáceos, pequenos mamíferos, aves, serpentes e até outros anfíbios. Em algumas situações, indivíduos maiores podem capturar presas quase do mesmo tamanho do próprio corpo.

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A reprodução ocorre em ambientes aquáticos, onde as fêmeas depositam milhares de ovos em grandes massas flutuantes. Os girinos apresentam crescimento relativamente lento e podem permanecer na fase larval por mais de um ano antes da metamorfose. Durante esse período, eles se alimentam principalmente de matéria vegetal e organismos microscópicos presentes na água.

Crédito: Wikimedia Commons/Cephas

A espécie se tornou amplamente conhecida fora de sua área de distribuição natural devido à criação comercial para consumo humano. Sua carne, especialmente as coxas, é apreciada em diversos países. No Brasil, a introdução da rã-touro ocorreu ao longo do século 20 para atender ao mercado gastronômico, mas muitos exemplares escaparam ou foram liberados no ambiente, formando populações selvagens.

Crédito: Wikimedia Commons/Cephas

Atualmente, a rã-touro é considerada uma das espécies invasoras mais problemáticas do planeta. Sua capacidade de adaptação, reprodução abundante e dieta ampla favorecem sua expansão em novos ecossistemas. Além da predação direta sobre animais nativos, ela compete por alimento e abrigo com espécies locais.

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