Você já ouviu falar do tereré? O tereré é uma das bebidas mais tradicionais do Paraguai e representa um importante símbolo cultural do país. Não à toa, a bebida foi reconhecida como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Inclusive, esse título foi o primeiro reconhecimento do gênero para o Paraguai.
Preparado com erva-mate e água gelada, ele funciona como uma alternativa refrescante ao chimarrão quente, consumido em outras regiões da América do Sul, principalmente por causa do clima quente predominante no país. A bebida costuma ser servida em uma guampa, recipiente tradicional frequentemente produzido com chifre bovino, madeira ou metal. Para consumir o tereré, utiliza-se uma bomba metálica semelhante à usada no chimarrão.
Crédito: imagem gerada por i.aComo o consumo do tereré ocorre diariamente e em diferentes horários, muitas pessoas carregam garrafas térmicas com água gelada ao longo do dia para manter o costume mesmo fora de casa. Ervas medicinais e plantas aromáticas também aparecem no preparo. Hortelã, boldo e capim-limão estão entre os ingredientes mais comuns.
Crédito: imagem gerada por i.aAlém disso, o tereré possui forte papel social no Paraguai, já que amigos, familiares e colegas de trabalho frequentemente compartilham a mesma guampa durante conversas e encontros cotidianos. Esse ato de dividir a bebida simboliza convivência, hospitalidade e amizade. No entanto, essa tradição é bastante antiga.
Crédito: Wikimedia Commons / Overkill53A origem do tereré possui diferentes versões. Uma das hipóteses mais conhecidas afirma que a bebida já era consumida pelos povos guaranis antes da chegada dos europeus à América. Outra versão diz que o costume surgiu durante a Guerra do Chaco, conflito ocorrido entre 1932 e 1935. Segundo esse relato, soldados passaram a consumir a erva-mate fria para evitar fogueiras que poderiam denunciar suas posições durante a guerra.
Crédito: imagem gerada por i.aTambém existe uma hipótese ligada aos mensús, trabalhadores explorados na colheita de erva-mate no Paraguai e na Argentina. Para evitar punições por acender fogo e preparar mate quente, eles teriam adotado a bebida fria. Outra teoria afirma que os indígenas utilizavam a erva para coar a água dos rios que consumiam, de modo a evitar doenças como a esquistossomose durante deslocamentos com o gado em longas comitivas.
Crédito: imagem gerada por i.a