O jornalista, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira, 22 de setembro, após mais de seis décadas dedicadas ao jornalismo, à literatura e à reflexão sobre o Brasil. Natural de Além Paraíba, em Minas Gerais, ele começou a carreira profissional em 1956, como arquivista da Tribuna da Imprensa, antes de conquistar espaço nas principais redações do país.
Formado em Letras Neolatinas, também deu aulas na UFRJ e na Escola Superior de Desenho Industrial da Uerj, além de ter estudado jornalismo em Paris com uma bolsa de estudos. Ao longo da carreira, passou por veículos como Correio da Manhã, Fatos & Fotos, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil, onde ocupou funções de reportagem e chefia.
Crédito: Reprodução/TV CulturaUm dos trabalhos que marcaram sua trajetória surgiu a partir das pesquisas sobre a década de 1960 e resultou no livro "1968: o ano que não terminou", lançado em 1988 e transformado em referência sobre o período. A obra também serviu de base para a minissérie "Anos Rebeldes", exibida pela TV Globo em 1992.
Crédito: Reprodução/SescTVEm 1989, sua cobertura sobre o assassinato de Chico Mendes no Acre deu origem a uma série de reportagens premiada com o Esso e o Vladimir Herzog. Durante aquela apuração, Zuenir conheceu Genésio, adolescente que era testemunha do crime e sofria ameaças, e decidiu levá-lo para sua família, onde permaneceu sob sua tutela até os 18 anos.
Crédito: ReproduçãoOutro marco de sua produção foi "Cidade Partida", publicado em 1994, livro-reportagem que abordou a violência e a desigualdade no Rio de Janeiro a partir de sua experiência em Vigário Geral e recebeu o Prêmio Jabuti de Reportagem.
Crédito: ReproduçãoA atuação do jornalista também alcançou o audiovisual, por exemplo a participação no roteiro de "Paulinho da Viola: Meu Tempo é Hoje", documentário lançado em 2003. Em 2008, recebeu um troféu especial da ONU por sua contribuição à defesa dos direitos humanos, e, em 2010, foi escolhido como jornalista do ano pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.
Crédito: Reprodução/TV GloboZuenir ingressou na Academia Brasileira de Letras em 2014, como ocupante da Cadeira 32, na sucessão de Ariano Suassuna, e tomou posse no ano seguinte. Colunista do jornal O Globo desde 1999, manteve por anos uma produção voltada a temas de política, cultura e sociedade.
Crédito: Reprodução/TV GloboDefinido pela revista britânica The Economist como "um dos jornalistas que melhor observam o Brasil", Zuenir deixa um legado que deve continuar inspirando futuras gerações de jornalistas. Ele deixa a mulher, Mary Ventura, e os filhos Mauro Ventura e Elisa Ventura.
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