Uma análise genética feita sob a liderança do cientista brasileiro Eduardo Eizirik, da PUC-RS, revelou uma espécie inédita de felino silvestre que habita as matas de montanha da Bolívia. Batizado de Leopardus tilcayo, o animal representa a primeira espécie de felino não fóssil descrita pela ciência em mais de um século.
O trabalho, publicado na revista científica Current Biology, também levou à identificação de uma nova subespécie, o Leopardus tigrinus antisuyo, encontrado nas Yungas do Peru. Embora pertençam a um grupo de pequenos felinos sul-americanos com características físicas semelhantes, as duas linhagens possuem histórias evolutivas distintas.
Crédito: thomazcallado/iNaturalistO felino descoberto pelo brasileiro, em parceria com especialistas da Bolívia e da Bélgica, tem cerca de 45 centímetros de comprimento, uma cauda de aproximadamente 25 centímetros, e vem sendo chamado pelos moradores locais apenas de "tilcayo".
Crédito: Paola Nogales-Ascarrunz/DivulgaçãoA investigação começou a partir de um filhote localizado por um morador da região de Nor Yungas, na Bolívia, em 2016. O animal foi encaminhado ao refúgio La Senda Verde, onde permaneceu sob cuidados até despertar o interesse dos pesquisadores.
Crédito: Wikimedia Commons/ SembapoetaExames posteriores do material genético mostraram que a identificação inicial estava equivocada: em vez de Leopardus tigrinus, o filhote pertencia a uma linhagem que a ciência ainda não havia reconhecido como espécie independente.
Crédito: Paola Nogales-Ascarrunz/DivulgaçãoO caso ajudou a esclarecer um problema recorrente na classificação dos felinos selvagens da América do Sul. Espécies diferentes podem apresentar características físicas tão próximas que acabam reunidas sob o mesmo nome, apesar de diferenças genéticas e de trajetórias evolutivas que remontam a centenas de milhares ou até milhões de anos.
Crédito: Wikimedia Commons/Alessandro VernianiPara os pesquisadores, o achado demonstra que a biodiversidade ainda guarda descobertas mesmo entre animais conhecidos e estudados há bastante tempo. A identificação do L. tilcayo também pode influenciar estratégias de conservação, já que o reconhecimento de uma espécie distinta permite avaliar de maneira mais precisa sua distribuição e seus riscos.
Crédito: Paola Nogales-Ascarrunz/DivulgaçãoPara chegar ao resultado, os cientistas compararam o genoma completo de 38 animais do gênero Leopardus, incluindo exemplares vivos e peças preservadas em museus. Do Brasil, foram utilizados materiais de felinos como o L. guttulus, encontrado na Mata Atlântica, L. tigrinus, que habita regiões entre o extremo norte do país e as Guianas, e L. emiliae, presente no Cerrado e na Caatinga.
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