Uma torre projetada pelo arquiteto canadense Frank Gehry, no sul da França, ganhou destaque por incorporar mais de 4 mil painéis de sal em seu interior, transformando um material tradicionalmente associado à corrosão em um elemento de acabamento arquitetônico. A iniciativa transformou o sal extraído da região de Camargue para criar revestimentos cristalizados por meio da ação natural do sol, do vento e da água salgada. Desenvolvidos pela plataforma Materially, os painéis da LUMA Arles — como foi chamada a torre — foram concebidos a partir de um método natural e sustentável; confira a seguir!
O processo consistiu na imersão de estruturas metálicas em áreas salinas, permitindo que cristais de sal se formassem ao longo de cerca de duas semanas. Como o resultado depende das condições climáticas, cada painel apresenta textura, tonalidade e padrões únicos. Essa característica reforça a ligação entre o edifício e a paisagem local, já que o próprio ambiente participou diretamente da criação do material utilizado.
Crédito: Reprodução/YouTube DW EuromaxxOs painéis foram instalados nas áreas dos elevadores de nove dos 12 andares da torre. Apesar da aparência impressionante, eles não possuem qualquer função estrutural. O sal não substitui concreto, aço, vigas ou pilares e não contribui para sustentar o edifício. Seu papel é exclusivamente visual, funcionando como revestimento interno e elemento de identidade arquitetônica.
Crédito: Reprodução/LUMA ArlesO projeto também ajuda a compreender uma tendência crescente na arquitetura contemporânea: o aproveitamento de recursos locais para criar obras mais conectadas ao território onde estão inseridas. Em vez de recorrer apenas a materiais industriais convencionais, a proposta busca valorizar elementos da própria região e reinterpretá-los de maneira inovadora.
Crédito: Reprodução/YouTube LUMA ArlesA experiência chama atenção especialmente porque o sal costuma representar um desafio para a construção civil. Em áreas litorâneas, ele pode acelerar a corrosão de estruturas metálicas e aumentar os custos de manutenção. O caso da LUMA Arles não elimina essas limitações nem sugere o uso indiscriminado do material em edifícios.
Crédito: Reprodução/YouTube DW EuromaxxO que ele demonstra é que, com pesquisa, controle técnico e aplicação adequada, um elemento visto como problemático pode ganhar uma nova função. Para mercados que lidam constantemente com os desafios da salinidade, como as regiões litorâneas do Brasil, a iniciativa francesa oferece uma valiosa lição. A região de Camargue, onde fica o LUMA Arles, guarda outras preciosidades; conheça!
Crédito: Reprodução/YouTube DW EuromaxxA região da Camargue ocupa uma vasta área no sul da França, entre os dois braços do rio Ródano e o Mar Mediterrâneo. Conhecida por suas paisagens peculiares, ela abriga um dos maiores deltas fluviais da Europa Ocidental e apresenta uma combinação rara de lagoas salgadas, pântanos, dunas, praias e extensas planícies.
Crédito: Reprodução/TravelexproCamargue possui uma identidade cultural muito própria, marcada pelas tradições rurais e pela forte ligação com a natureza. A região se tornou famosa pelos cavalos brancos da Camargue, uma raça adaptada aos terrenos alagadiços e considerada um dos símbolos locais.
Crédito: Wikimedia Commons/Benjamin SmithOutro ícone são os touros negros criados em campos abertos, utilizados em festividades tradicionais e competições típicas do sul francês. A fauna impressiona pela diversidade, com destaque para milhares de flamingos-cor-de-rosa que encontram ali um importante local de reprodução.
Crédito: © Giles Laurent, gileslaurent.com, License CC BY-SAGrande parte do território integra o Parque Natural Regional da Camargue, criado para proteger os ecossistemas e preservar o patrimônio cultural da região. A produção de sal também desempenha papel importante na economia local, especialmente nas salinas próximas à cidade de Aigues-Mortes, onde extensas áreas adquirem tons rosados em determinadas épocas do ano.
Crédito: Pexels/Gaetan THURINAlém das atividades ligadas à pecuária e ao turismo, Camargue conserva vilarejos históricos e tradições folclóricas que refletem influências mediterrâneas. Sua culinária tem como destaque o arroz cultivado localmente, frutos do mar e receitas típicas da Provença.
Crédito: Pexels/Susanne Jutzeler, suju-fotoAlém das paisagens que mudam conforme as estações e uma biodiversidade excepcional, Camargue adquiriu o status de um dos destinos naturais mais fascinantes da França, atraindo visitantes interessados em observação de aves, fotografia, cultura regional e experiências ao ar livre.
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