Um museu de Porto Alegre é conhecido por abrigar um dos objetos científicos mais raros do país: uma máquina planetária do início do século 20 que ainda continua funcionando até hoje. O equipamento, também conhecido como planetário copernicano, chegou ao Museu Anchieta de Ciências Naturais em 1926 e é capaz de reproduzir os movimentos dos planetas do Sistema Solar por meio de mecanismos mecânicos. Segundo pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Universidade do Vale do Taquari, trata-se do único exemplar desse modelo preservado no Brasil.
Um estudo publicado na Revista Iberoamericana do Patrimônio Histórico-Educativo aponta que existem apenas cinco máquinas desse tipo em todo o mundo. Além da unidade gaúcha, os demais exemplares permanecem em instituições e coleções da França (na Galeria Delalande e nas casas de leilão ArtCurial e Chayette-Cheva) e da Itália (no Museu Nacional de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci).
Crédito: ReproduçãoOs estudiosos acreditam que a peça tenha sido produzida por Émile Bertaux, fabricante francês conhecido pela criação de globos e instrumentos geográficos no século 19. A raridade transformou a máquina em um dos grandes destaques da exposição permanente do museu, que fica localizado no tradicional Colégio Anchieta.
Crédito: ReproduçãoSegundo a museóloga Alana Cioato, muitos alunos relatam com entusiasmo já terem conhecido museus importantes, mas demonstram orgulho ao descobrir que o equipamento de Porto Alegre continua em operação. Além da histórica máquina planetária, o museu reúne um amplo acervo científico e educativo acumulado desde 1908, ano de sua fundação.
Crédito: Divulgação/Colégio AnchietaA coleção possui cerca de 130 mil insetos catalogados, incluindo milhares de aracnídeos, como aranhas, escorpiões e carrapatos. O espaço também conserva peixes originários do Brasil, Uruguai e Argentina, preservados em álcool, além de répteis, anfíbios, aves e mamíferos empalhados. O acervo inclui ainda fósseis de animais e vegetais, conchas, minerais e rochas coletadas em diferentes regiões do Brasil e do exterior.
Crédito: Reprodução/Zero HoraPara os responsáveis pelo museu, a preservação desse patrimônio tem uma importante função pedagógica e ambiental. A proposta do espaço busca aproximar crianças e jovens da biodiversidade e da ciência por meio da observação direta dos exemplares expostos.
Crédito: Reprodução @museuanchietadecienciasA instituição se prepara para uma ampla reforma estrutural voltada à acessibilidade e modernização do prédio. As obras devem começar em dezembro e seguir até 2028, período em que a exposição permanecerá aberta provisoriamente em outro espaço. As visitas guiadas continuam gratuitas para escolas e para o público em geral, mediante agendamento prévio.
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