No dia 1º de maio de 1959, em São Paulo, nasceu Marcelo Rubens Paiva, escritor, jornalista, dramaturgo e roteirista conhecido, principalmente, por livros como “Ainda Estou Aqui”. Filho do ex-deputado Rubens Paiva, morto pela ditadura militar brasileira, Marcelo recebeu importantes prêmios ao longo da carreira, como o Jabuti, o Prêmio Shell, o Moinho Santista e o prêmio da Academia Brasileira de Letras. Com suas obras autobiográficas e relatos sobre memória e política, se tornou uma das vozes mais conhecidas da literatura nacional.
Como escritor, Marcelo Rubens Paiva publicou romances, crônicas, memórias e livros de não ficção. Outras de suas obras mais conhecidas são “Feliz Ano Velho”, “Blecaute”, “Malu de Bicicleta” e “Meninos em Fúria”. Além da literatura, também trabalhou como jornalista, cronista e roteirista, escrevendo para jornais, revistas e programas de televisão. Participou ainda da criação de peças de teatro e colaborou com produções voltadas para o cinema e a TV.
Crédito: wikimedia commons/ Harald KrichelMarcelo Rubens Paiva cresceu em uma família envolvida com política e intelectualmente influente. Seu pai, Rubens Paiva, foi um deputado federal cassado após o golpe militar de 1964, enquanto sua mãe, Eunice Paiva, se tornou uma importante defensora dos direitos humanos. Entretanto, sua infância foi marcada pelo trauma causado pela repressão política durante a Ditadura Militar.
Crédito: Divulgação/Equipe de arqueologia do Município de AlkmaarEm 20 de janeiro de 1971, homens armados que se identificaram como integrantes da Aeronáutica invadiram a casa de Rubens Paiva, no Rio de Janeiro, e o prenderam sem apresentar mandado judicial. O ex-deputado foi levado para instalações militares e depois transferido para o DOI-CODI, órgão de repressão da ditadura militar, onde foi torturado. Ele nunca mais foi visto nem seus restos mortais foram encontrados.
Crédito: arquivo pessoalSua esposa, Eunice Paiva, e a filha Eliana também foram presas no mesmo dia. Eunice ficou incomunicável por doze dias, enquanto Eliana foi libertada no dia seguinte. Com toda a repercussão, o caso se tornou um dos episódios mais conhecidos da violência praticada pelo regime militar brasileiro.
Crédito: arquivo pessoalOutro trauma na vida de Marcelo aconteceu em 1979, quando ele tinha apenas 20 anos e sofreu um grave acidente, que mudou completamente sua vida. Durante um mergulho em um lago, ele bateu a cabeça em uma pedra, lesionou a medula espinhal e ficou tetraplégico.
Crédito: Reprodução / InstagramO processo de recuperação física e emocional inspirou o livro autobiográfico “Feliz Ano Velho”, publicado em 1982. A obra foi um grande sucesso editorial, ganhou adaptações para o teatro e, durante décadas, foi considerado o livro mais famoso e de maior sucesso de Marcelo Rubens Paiva.
Crédito: DivulgaçãoEm 2015, Marcelo lançou “Ainda Estou Aqui”, obra centrada na trajetória de sua mãe, Eunice Paiva, e no desaparecimento de seu pai durante a ditadura militar. O livro reconstrói a violência sofrida pela família Paiva após a prisão do pai pelos órgãos de repressão do regime militar. Ao mesmo tempo, destaca a força de Eunice, que dedicou décadas à busca por verdade e justiça, enquanto Eunice perde gradualmente a memória por causa do Alzheimer.
Crédito: DivulgaçãoO livro foi muito elogiado pela crítica, venceu o Prêmio Jabuti em 2015 e se tornou uma das principais obras sobre a Ditadura Militar no Brasil. Em 2024, ele ganhou uma adaptação para o cinema intitulada "Ainda Estou Aqui”, dirigida por Walter Salles e estrelada por Fernanda Torres no papel de Eunice Paiva e por Selton Mello como Rubens Paiva. Já a versão mais velha de Eunice foi interpretada por Fernanda Montenegro.
Crédito: divulgaçãoAssim como no livro, o filme retrata a história da família Paiva, com foco em Eunice Paiva, advogada que se transforma em ativista política após a prisão e o desaparecimento do marido durante a ditadura militar. O longa estreou no Festival de Veneza em 1º de setembro de 2024, onde recebeu dez minutos de aplausos consecutivos do público.
Crédito: divulgaçãoInternacionalmente, "I'm Still Here", como é chamado, recebeu muitos elogios da crítica internacional e participou da temporada de premiações nos Estados Unidos. A atuação de Fernanda Torres foi um dos pontos mais elogiados do longa e garantiu a ela o prêmio de Melhor Atriz em Filme de Drama no Globo de Ouro, um feito histórico para o cinema brasileiro.
Crédito: Reprodução TNTNo Oscar, “Ainda Estou Aqui” fez história ao vencer o prêmio de Melhor Filme Internacional, a primeira vez que o Brasil conquistou a categoria. Além disso, Fernanda Torres recebeu indicação ao Oscar de Melhor Atriz e se tornou apenas a segunda brasileira indicada nesta categoria. A primeira foi a sua mãe, Fernanda Montenegro, indicada em 1999 por “Central do Brasil”.
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