No dia 10 de setembro de 2026, estreou nos cinemas brasileiros o documentário "Viva Marília", dedicado à trajetória de Marília Pêra (1943 - 2015), uma das artistas de maior destaque da cultura nacional. Dirigido por Zelito Viana e Esperança Motta, filha da atriz, o filme reúne registros de diferentes fases de sua carreira. O roteiro é assinado pelo jornalista e escritor Nelson Motta. A produção percorre trabalhos de Marília no teatro, no cinema e na televisão.
Narrado pela própria artista, o longa utiliza entrevistas, fotografias e imagens raras de seu acervo pessoal para construir o retrato da atriz. A narrativa também relaciona sua trajetória às transformações políticas, sociais e culturais vividas pelo Brasil entre as décadas de 1960 e 1980. O documentário recupera momentos marcantes de sua carreira e reúne depoimentos de nomes como Jô Soares, Hebe Camargo e Marília Gabriela.
Crédito: DivulgaçãoNascida no Rio de Janeiro em 22 de janeiro de 1943, Marília Pêra cresceu em uma família ligada ao teatro e teve contato com os palcos desde os primeiros anos de vida. Aos quatro anos, começou a atuar profissionalmente na Companhia de Henriette Morineau, em uma montagem de “Medéia”, de Eurípides. Na adolescência, ampliou sua formação artística com trabalhos como bailarina em musicais e espetáculos de teatro de revista. Essa experiência contribuiu para a construção de uma carreira marcada pela atuação, pelo canto e pela dança.
Crédito: Arquivo Nacional/Wikimedia CommonsNa televisão, Marília estreou na Globo em 1965 e participou posteriormente de produções que ajudaram a consolidar sua popularidade. Entre seus trabalhos dos anos 1970 estão “O Cafona”, com Francisco Cuoco, “Bandeira 2” e “Uma Rosa com Amor”, além de “Supermanoela”. Em 1968, também integrou o elenco de “Beto Rockfeller”, novela da TV Tupi considerada um marco pela linguagem mais próxima do cotidiano. Ao longo da carreira, transitou por diferentes emissoras e formatos da dramaturgia brasileira.
Crédito: Reprodução/TV GloboO teatro, porém, permaneceu como uma das principais bases de sua trajetória artística. Marília participou de mais de 50 peças e também assumiu funções de direção, produção e coreografia em diferentes projetos. Entre as personagens que interpretou nos palcos estiveram figuras como Carmen Miranda, Dalva de Oliveira, Maria Callas e Coco Chanel. A atriz também levou para o teatro trabalhos musicais nos quais explorava sua experiência como intérprete e cantora.
Crédito: Robert Schwenck/DivulgaçãoNo cinema, Marília construiu uma filmografia que inclui quase 30 produções, como “Bar Esperança”, de Hugo Carvana, e “Tieta do Agreste”, de Cacá Diegues. Um de seus trabalhos de destaque foi “Pixote, a Lei do Mais Fraco”, dirigido por Hector Babenco, em 1980. Anos depois, participou de “Central do Brasil”, de Walter Salles, lançado em 1998 e estrelado por Fernanda Montenegro e Vinicius de Oliveira. O filme teve reconhecimento internacional e recebeu duas indicações ao Oscar, enquanto a atuação de Marília integrou um dos trabalhos cinematográficos importantes de sua carreira.
Crédito: Ricardo Sá/DivulgaçãoA atriz também teve passagens marcantes pela televisão nas décadas seguintes, incluindo personagens de diferentes perfis e gêneros. Em 1982, protagonizou a minissérie “Quem Ama Não Mata”, enquanto, em 1987, voltou às novelas com Rafaela Alvaray, de “Brega & Chique”. No ano seguinte, interpretou a empregada Juliana em “O Primo Basílio”, personagem que se tornou um dos destaques de sua carreira televisiva. Em 2006, viveu Sarah Kubitschek na minissérie “JK”, ampliando sua galeria de personagens inspirados em figuras históricas.
Crédito: Divulgação/GloboMarília Pêra, que lutava contra um câncer, morreu em 5 de dezembro de 2015, aos 72 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. Ao longo de mais de sete décadas de vida, deixou uma trajetória que reuniu teatro, cinema, televisão, música, dança e trabalhos nos bastidores. Uma carreira que registra mais de 50 peças, quase 30 filmes e cerca de 40 novelas, minisséries e programas de televisão em seu percurso. Sua obra continuou sendo revisitada após sua morte, inclusive pelo documentário “Viva Marília”, lançado nos cinemas em setembro de 2026.
Crédito: Flickr JC Online